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quarta-feira, 25 de março de 2015

Memórias que ficam em pintura.

Fotos retiradas do FB - grupo "Odivelas - a sua história é feita por si"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

sábado, 6 de dezembro de 2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Café Central.


Antigamente era inevitável existir um “Café Central” em todas as vilas, aldeias e cidades do nosso país. Esses estabelecimentos serviam uma clientela mais “requintada” e “endinheirada” dos locais onde se estabeleciam.
As “tascas” ou “tabernas” ficavam para os mais pobres. Nelas se podia beber o “carrascão”, jogar às cartas ou ao dominó. As “asneiras” saíam “boca fora” e ninguém se incomodava com isso.
Nos cafés havia mais respeito. Haviam outro tipo de bebidas e comidas. Falavam-se de outras “coisas” que interessavam aos seus frequentadores. Os “meninos e as meninas” só iam ao café comer um bolo e um copo de leite.

Desses tempos ficou o nome: “Central”. No nosso concelho ainda subsistem alguns em Odivelas, Caneças, Pontinha, etc. Hoje não passam de nomes que nada tem a ver com “tempos antigos”.


(Pontinha)


(Caneças)


(Pomarinho)



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Passeando pela cidade de Odivelas.


Quase todos os dias nós cruzamos a Rua Guilherme Gomes Fernandes, em Odivelas, de transporte ou mesmo a pé. Se calhar, a maioria dos odivelenses, não sabe que figura é esta. Como curiosidade aqui vos deixo um pouco da história deste brasileiro que nos deixou um legado enorme.

Patrono dos Bombeiros Novos - Mestre Guilherme Gomes Fernandes


Nasceu na Baía a 6 de Fevereiro de 1850. Aos 3 anos de idade foi viver para a cidade do Porto e aos 13 partiu para Inglaterra, com o intuito de frequentar os estudos liceais.
Com 19 anos, este jovem abastado e culto fixou residência no Porto. Entusiasta do desporto, acumulou diversas vitórias na disciplina de Ginástica.
Senhor de uma vasta fortuna, funda, a 25 de Agosto de 1875, um corpo de bombeiros voluntários, assumindo os custos do material e equipamentos necessários. Foi o 11º de Portugal. Recebe formação de bombeiro nos Municipais de Lisboa. Contacto frequente com os bombeiros de vários países europeus e com prestigiadas personalidades do meio. Estudos de materiais de ataque de incêndios, congressos, exercícios, etc. Organizou e instruiu várias corporações de bombeiros. Nomeado Inspector Geral de Incêndios e Comandante dos Bombeiros Municipais do Porto em 31 de Dezembro de 1885, tendo tomado posse em 9 de Janeiro de 1886. Incidentes desagradáveis de percurso da sua acção como Inspector e Comandante de Bombeiros. Realizou no Porto o 1º Congresso dos Bombeiros Portugueses em 1893. Participa com uma força sob o seu comando, em 17 de Junho de 1893 no Torneio Internacional de Londres, tendo-se classificado em primeiro lugar sem a atribuição do 2º lugar a outro concorrente, atendendo à excelência da prova dos portugueses. Em 5 de Agosto 1984 participou no Torneio de Lion-França com uma força de 14 bombeiros, tendo conquistado o 2º lugar da classificação. Participação no concurso internacional de Paris, realizado entre 15 a 18 de Agosto de 1900 e aos quais assistiram contingentes da Aústria, Itália, Espanha, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Inglaterra, Holanda, Hungria, Luxemburgo, Suécia, Rússia, etc.
O grupo de Guilherme Gomes Fernandes vence o concurso perante uma assistência de 40 000 pessoas, conquista uma medalha de Ouro, a Taça de Sévres que lhe foi entregue pelo PR Francês; e o título de campeão do Mundo, além do prémio pecuniário de 1500 francos. Nenhum concorrente fez a prova em menos tempo da metade do tempo necessário à esquadra portuguesa para vencer o torneio. Esta esquadra de bombeiros pernoitou em Aveiro antes de chegar à cidade do Porto, por ocasião do seu regresso a Portugal. À época desta vitória de Paris, era comandante dos Bombeiros Voluntários de Aveiro, o aveirense Joaquim de Melo Freitas, o qual serviu de forma sublime, o seu país. Guilherme Gomes Fernandes é festejado pela população, tal a sua influência e fama. Guilherme Gomes Fernandes morre a 31 de Outubro de 1902, com 52 anos após uma complicada operação cirúrgica. Em sua memória, é-lhe erigido um memorial em 1915, na cidade do Porto.

Dados retirados de:

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Drogarias.





Nas drogarias havia de tudo um pouco. Desde produtos para higiene da casa e pessoal, passando pelo petróleo, carvão, pregos, tintas enfim... um sem fim de coisas. Algumas tinham até alguns brinquedos e medicamentos. Em Odivelas dei conta, há pouco tempo, que fechou uma das mais "tipicas" que se situava na Rua Guilherme Gomes Fernandes... quase em frente da "Pastelaria Faruk". Lembro-me de um gato que, em horas mais solarengas, ficava por ali a deliciar-se com o "quentinho" que atravessava os vidros. 
O tempo não perdoa e a pouco e pouco fecham as lojas de bairro. Os super(hiper)mercados vão dando conta dessas pequenas lojecas e dos seus pequenos comerciantes. Hoje fica a "nostalgia" de outros tempos em que conhecíamos os vizinhos e os comerciantes pelo nome próprio. Esta nostalgia não tem a ver com "o antes é que era bom". Nada disso! Tem a ver com as recordações da minha (nossa) infância que também já lá vai...



domingo, 25 de novembro de 2012

Marmelada branca de Odivelas.



A marmelada é um doce confeccionado em todo o país.
A marmelada branca é um doce exclusivo de Odivelas, tendo sido confeccionado no mosteiro das Bernardas, que sempre guardaram o segredo que lhes permitia obter um doce de cor muito clara, próximo do branco, mas não exactamente branca.
A marmelada branca era oferecida aos convidados e visitadores desta comunidade nos dias festivos, sobretudo nos outeiros organizados pelas freiras e aos quais acorriam os cortesãos e poetas.
Nestas ocasiões a marmelada oferecida tinha a forma de quadradinhos e pegava-se nela à mão como qualquer bolo seco.
O segredo só foi desvendado depois da morte da última freira, em finais do século XIX, quando faleceu a última freira, porque ela deixou um caderno de receitas escrito pela sua mão a uma sua afilhada, onde além de muitos outros doces deste mosteiro estava escrita a receita da marmelada branca.
É um documento que garante a autenticidade da marmelada branca. Todas as variantes, mesmo com poucas alterações, são aproximações… Apareceram algumas pessoas que afirmam fazerem esta marmelada e estão sinceramente convencidas disso, mas se cotejarmos as receitas verificamos que há diferenças, às vezes ligeiras, mas que são suficientes para serem apenas imitações, embora seja também de boa qualidade e até muito parecida.
Que é um doce com origem no mosteiro de Odivelas e que apenas esta marmelada era famosa, basta citarmos alguns autores que referindo-se aos doces de vários conventos, só mencionam a marmelada quando falam das bernardas de Odivelas.
Em abono do que afirmo, aconselho a consulta das seguintes obras, de que vou fazer transcrições:
1 . – As minhas queridas freirinhas de Odivelas; autor – Manuel Bernardes Branco (pags 15 a 21); “E era então que as freiras mostravam até à evidência…..quão peritas eram na arte de fazer doces, na qual não tinham rivais na composição dos famosíssimos e dulcíssimos:
Manjar real, manjar branco, suspiros, marmelada, esquecidos, bolo podre.”   
2 . – O Mosteiro de Odivelas, casos de Reis e memórias de Freiras; autor – A. C. Borges de Figueiredo (pags 45): “Nesta cozinha, ampla e bem disposta, variadas doçarias se manipulavam: a famosa marmelada, os apreciados fartens, os saborosos esquecidos….os elevados penhascos, o celebrado tabefe…..”
3 . – Depois do Terramoto, subsídios para a História dos Bairros ocidentais de Lisboa, volume III, (pags 425 a 427): “Mas a todas levavam as lampas as bernardas ricas de Odivelas. As galantes e aristocráticas freirinhas….foram inatingidas no fabrico da marmelada – a sua coroa de glória…..”
4 . – O livro das receitas da última Freira de Odivelas, com actualização e notas de Maria Isabel de Vasconcelos Cabral (receita n.º 14).
Este livro é a transposição para português actual, das receitas manuscritas pela freira.
Vou transcrever a receita, tal como está manuscrita pela última freira, no seu caderno: “Marmelada branca
Vão-se esbrugando os marmelos e deitando-os em água fria. Põe-se a ferver em lume brando, estando bem cozidos se passam por peneira. Para 1kg de massa 2kg de açúcar em ponto alto de sorte que deitando uma pinga n´agua coalhe; tira-se o tacho do lume e se lhe deita a massa muito bem desfeita com a colher, torna ao lume até levantar empolas. Tira-se para fora e se bate até esfriar, para se pôr em pratos a secar.”
Esta é que é a receita das freiras.
Chamo à atenção para não ser totalmente exacta a transcrição que vem no livro editado pela Verbo.
Enquanto que a freira diz que era deitada em pratos, a pessoa que transcreveu diz que se deita em taças, mas não é a palavra taças que vem na receita.
Este pormenor revela um certo desconhecimento em relação à forma que a marmelada ia ter para ser oferecida aos convidados. O prato permitia que depois de seca fosse partida em quadrados que seguidamente se iam virando para secar em todas as faces de forma a ser pegada à mão como os bolos. Se fosse deitada em taças isso não seria fácil.
A marmelada branca não era para barrar pão, mas para se comer como um bolo.
O segredo é este – escolhiam-se marmelos ainda com a cor verde, descascavam-se e iam-se logo metendo em água fria para não escurecerem.
O peso do açúcar era o dobro do peso da massa de marmelo. (ver a receita manuscrita).
Só assim a marmelada ficava com uma cor muito clara.
Duas razões para a marmelada branca ser exclusiva de Odivelas:
1.º a receita manuscrita pela freira é prova mais que suficiente;
2.º ser referida pelos escritores (que falam de doces conventuais), apenas em Odivelas.
Lamento decepcionar aqueles que fazem reportar a marmelada aos tempos do rei D. Dinis. Nesse tempo ainda não se fazia marmelada, nem sobremesas doces.
 O açúcar era um produto muito caro e raro, considerado uma iguaria e até medicamento, sendo o seu uso muito restrito. Figurava em testamentos de reis e de altos dignitários, como dádiva de valor.
Pensa-se que a cana de açúcar seja originária da Índia e até ao século XIII foi pouco divulgada na Europa. A difusão deste produto exótico deve-se aos árabes. Na Idade Média, o preço e a quantidade em circulação, fizeram dele um privilégio de ricos. Foram os portugueses que “democratizaram” o seu uso, quando se passou a produzir em grandes quantidades no Brasil, de 1530 a 1640, aumentando sempre a produção daí em diante. O cultivo que antes se tinha feito no Algarve, Madeira e Açores, não foi suficiente para se tornar um produto de consumo corrente, acessível a todas as bolsas. Só os engenhos brasileiros produziram “para todos”.
Sendo a marmelada um produto “popular”, só pode aparecer depois de o açúcar também ser popular.
Admito que as freiras terão iniciado um processo de aperfeiçoamento que chegou a distingui-la da vulgar marmelada. Elevaram-na à categoria de ser digna de ir à mesa de reis e nobres, mas D. Dinis nunca comeu marmelada, nem mesmo a “marmelada branca”.

Dra.Maria Máxima Vaz

retirado de: http://odivelas.com/2010/03/21/marmelada-branca-de-odivelas/

Receita manuscrita da marmelada de Odivelas


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Antiga Casa da Marmelada de Odivelas.

Hoje é... Uma Agência Funerária!... Ironias do destino...


Imagem retirada do facebook. Página "Odivelas de outros tempos".

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Palma Inácio em Odivelas.


A primeira operação
Palma Inácio envolve-se entretanto em actividades antigovernamentais e a 10 de Abril de 1947 é um dos participantes na ³abrilada², um plano de golpe de estado pela Junta Militar de Libertação Nacional, dirigido pelo Almirante Mendes Cabeçadas com a colaboração de vários oficiais superiores, entre eles o General Marques Godinho. A insurreição iria iniciar-se na região de Tomar e determinaram-se precauções para neutralizar unidades militares que se pudessem opor ao movimento. Uma destas precauções consistia em imobilizar os recursos da Base Aérea da Granja do Marquês, onde Palma Inácio havia prestado serviço.
Bom conhecedor do terreno, encaminha-se pois para aí na companhia de outro mecânico, Gabriel Gomes, e entre os dois cortam os cabos de comando de 28 caças e de um Dakota utilizado pelo Ministro da Guerra, Santos Costa, para as suas deslocações oficiais.
A conjura é cancelada à última hora e a polícia lança uma vaga de prisões. Na iminência de ser detido, o jovem revolucionário refugia-se numa casa de Lisboa e depois numa quinta em Odivelas, onde aparenta ser estudante em férias.
Alguém sabe em que quinta foi?