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segunda-feira, 12 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
quarta-feira, 15 de julho de 2009
O Coreto de Odivelas – II

É de admitir que antes da construção do CORETO já existisse nos habitantes locais, uma enraizada tradição e gosto musical, como ainda se verifica e é praticado na actual Banda.
Em 1863 é fundada a SOCIEDADE PHILARMÓNICA ODIVELENSE, com sede no actual Largo D. Dinis, cujos estatutos preveem apenas duas qualidades de sócios: os tocantes e os ouvintes. Mais tarde a designação da colectividade é transformada em SOCIEDADE UNIÃO 29 DE JUNHO DE 1863, mas, tal como a primeira, a principal finalidade é a Banda de Música. São estas, em resumo, as origens da actual SOCIEDADE MUSICAL ODIVELENSE.
Não se pode falar desta colectividade sem enaltecer, mais uma vez, o vigor do associativismo e da força de vontade, do poder das pessoas quando unidas com propósitos válidos. Refiro o seguinte facto: a aquisição do terreno e a construção inicial da actual sede foram obra de um grupo de indivíduos que cerca dos anos 1928/29 formaram uma COMISSÃO PRÓ-MELHORAMENTOS e assim custeram o empreendimento das Acções.
A existência desde 1863 de uma Banda de Música em Odivelas, justificava plenamente a ambição de dispôr de um CORETO, não só desejado pelos executantes, pela exigência do aperfeiçoamento musical, mas também pelos “ovintes” como local público e permanente de audição.
Além disso os concertos nos coretos requeriam uma certa qualidade. Nos documentos consultados, refere-se uma despesa especial, em 1833, de pagamento ao mestre, por “toque no coreto”.
Pelos factos citados era importante possui um CORETO e, naturalmente, constatavam-se as tentativas para o obter. Assim, em 12 de Junho de 1889 “A Assembleia reunida, a fim de tratar dos festejos a fazer no dia 29 de Junho, aniversário da Sociedade, resolveu que a Direcção se encarregaria de solicitar à Exmª Câmara de Belém, o empréstimo de madeira e panos dalgum dos coretos que serviam nas festas, a fim de ser armado no Largo do Couto e ali tocar a philarmónica não só no dia 29, ams também aos domingos”.
No que se refere à construção do actual CORETO, pode-se afirmar que se iniciou em 1910 tendo sendo concluido em 1913, como se conclui da “Relação dos subscritores para o acabamento do coreto na Praça D. Dinis em Odivelas”. Foi transferido em 1951/52 para o jardim, onde actualmente se encontra, para no mesmo sitio ser colacada a estátua da Rainha Santa.
Em 1863 é fundada a SOCIEDADE PHILARMÓNICA ODIVELENSE, com sede no actual Largo D. Dinis, cujos estatutos preveem apenas duas qualidades de sócios: os tocantes e os ouvintes. Mais tarde a designação da colectividade é transformada em SOCIEDADE UNIÃO 29 DE JUNHO DE 1863, mas, tal como a primeira, a principal finalidade é a Banda de Música. São estas, em resumo, as origens da actual SOCIEDADE MUSICAL ODIVELENSE.
Não se pode falar desta colectividade sem enaltecer, mais uma vez, o vigor do associativismo e da força de vontade, do poder das pessoas quando unidas com propósitos válidos. Refiro o seguinte facto: a aquisição do terreno e a construção inicial da actual sede foram obra de um grupo de indivíduos que cerca dos anos 1928/29 formaram uma COMISSÃO PRÓ-MELHORAMENTOS e assim custeram o empreendimento das Acções.
A existência desde 1863 de uma Banda de Música em Odivelas, justificava plenamente a ambição de dispôr de um CORETO, não só desejado pelos executantes, pela exigência do aperfeiçoamento musical, mas também pelos “ovintes” como local público e permanente de audição.
Além disso os concertos nos coretos requeriam uma certa qualidade. Nos documentos consultados, refere-se uma despesa especial, em 1833, de pagamento ao mestre, por “toque no coreto”.
Pelos factos citados era importante possui um CORETO e, naturalmente, constatavam-se as tentativas para o obter. Assim, em 12 de Junho de 1889 “A Assembleia reunida, a fim de tratar dos festejos a fazer no dia 29 de Junho, aniversário da Sociedade, resolveu que a Direcção se encarregaria de solicitar à Exmª Câmara de Belém, o empréstimo de madeira e panos dalgum dos coretos que serviam nas festas, a fim de ser armado no Largo do Couto e ali tocar a philarmónica não só no dia 29, ams também aos domingos”.
No que se refere à construção do actual CORETO, pode-se afirmar que se iniciou em 1910 tendo sendo concluido em 1913, como se conclui da “Relação dos subscritores para o acabamento do coreto na Praça D. Dinis em Odivelas”. Foi transferido em 1951/52 para o jardim, onde actualmente se encontra, para no mesmo sitio ser colacada a estátua da Rainha Santa.

Texto retirado de: “O Coreto” – Publicação da Junta de Freguesia de Odivelas (1997)
Fotos minhas.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O Coreto de Odivelas - I

A memória do povo de Odivelas, como a de todos os povos, não se esgota apenas nos grandes acontecimentos, mas completa-se com este ou aquele pormenor, como é exemplo o asuunto que nos propomos tratar – O CORETO – sobretudo pela ilacção que a sua feitura encerra, pois que resultou da deliberada vontade de pouco mais de meia centena de habitantes que tornaram possível a sua construção, por subscrição pública, num tempo de notórias dificuldades económicas.
Mas antes de divagarmos sobre o étimo CORETO.
Etimoçogicamente, é um diminutivo, significando “pequeno coro, coro para música, armado para festa de arraial”.
A Enciclopédia Italiana também focaliza esta caracteristica dimensional, mas relaciona o termo, apenas com o factor religioso “pequeno coro onde as pessoas podiam assistir à missa – nas igrejas – separadas por gradeamento”.
Lopes Graça atribui-lhe uma versão religiosa e outra profana, sendo a esta que se adapta o CORETO DE ODIVELAS “Tablado fixo ou provisório, que nas praças públicas se levanta para concertos musicais, geralmente das bandas civis e militares”.
Quanto ao motivo e à época em que aparecem os coretos, sabe-se que surgem nos finais do Séc. XVIII, mercê da transformação operada na sociedade de então, por influência da Revolução Industrial que favoreceu o desenvolvimento económico, trazendo novos hábitos às diversas classes sociais.
A época coincide com um alastramento do espirito cultural e associativista que se traduz, na parte musical que nos interessa, na fundação das Sociedades Recreativas e Musicais, com as uas Filarmónicas e Bandas, cuja existência se desenvolve a para da influência e da evolução das Bandas Militares.
Texto retirado de: “O Coreto” – Publicação da Junta de Freguesia de Odivelas (1997)
Mas antes de divagarmos sobre o étimo CORETO.
Etimoçogicamente, é um diminutivo, significando “pequeno coro, coro para música, armado para festa de arraial”.
A Enciclopédia Italiana também focaliza esta caracteristica dimensional, mas relaciona o termo, apenas com o factor religioso “pequeno coro onde as pessoas podiam assistir à missa – nas igrejas – separadas por gradeamento”.
Lopes Graça atribui-lhe uma versão religiosa e outra profana, sendo a esta que se adapta o CORETO DE ODIVELAS “Tablado fixo ou provisório, que nas praças públicas se levanta para concertos musicais, geralmente das bandas civis e militares”.
Quanto ao motivo e à época em que aparecem os coretos, sabe-se que surgem nos finais do Séc. XVIII, mercê da transformação operada na sociedade de então, por influência da Revolução Industrial que favoreceu o desenvolvimento económico, trazendo novos hábitos às diversas classes sociais.
A época coincide com um alastramento do espirito cultural e associativista que se traduz, na parte musical que nos interessa, na fundação das Sociedades Recreativas e Musicais, com as uas Filarmónicas e Bandas, cuja existência se desenvolve a para da influência e da evolução das Bandas Militares.
Texto retirado de: “O Coreto” – Publicação da Junta de Freguesia de Odivelas (1997)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Memorial de Odivelas (IV)

Os elementos consultados conduzem-nos a admitir que o monumento de Odivelas é coevo de D. Diniz, mas não nos permitem determinar exactamente nem a data da sua construção, nem a primeira finalidade para que foi construido.
Inicialmente poderá ter servido para marco de couto, mas não há dúvida de que serviu a cerimónias fúnebres.
O local, o cimo do outeiro à vista da Igreja do Convento de Odivelas, onde o esperava o túmulo, terá sido aproveitado para a paragem do féretro de D. Diniz, a fim de se organizar o cortejo, de acordo com o ritual do tempo.
Quando da transladação de D. João I, de Lisboa para a Batalha, do mesmo modo, o local e o monumento está relacionado com a natural paragem do féretro dada a proximidade do Convento, onde, naturalmente, a comitiva terá pernoitado.
Contudo torna-se difícil situar exactamente a data da sua feitura, principalmente pelas adulterações que o monumento terá sofrido, nas diversas adaptações às cerimónias em sucessivas épocas, como sempre foi e continua a ser prática corrente a de "lavar a cara" aos locais que vão sendo visitados por "Suas Excelências".
Inicialmente poderá ter servido para marco de couto, mas não há dúvida de que serviu a cerimónias fúnebres.
O local, o cimo do outeiro à vista da Igreja do Convento de Odivelas, onde o esperava o túmulo, terá sido aproveitado para a paragem do féretro de D. Diniz, a fim de se organizar o cortejo, de acordo com o ritual do tempo.
Quando da transladação de D. João I, de Lisboa para a Batalha, do mesmo modo, o local e o monumento está relacionado com a natural paragem do féretro dada a proximidade do Convento, onde, naturalmente, a comitiva terá pernoitado.
Contudo torna-se difícil situar exactamente a data da sua feitura, principalmente pelas adulterações que o monumento terá sofrido, nas diversas adaptações às cerimónias em sucessivas épocas, como sempre foi e continua a ser prática corrente a de "lavar a cara" aos locais que vão sendo visitados por "Suas Excelências".
IN: "O Memorial" - Junta de Freguesia de Odivelas 1997 - paginas 7 e 8.
foto que tirei em 2005.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Memorial de Odivelas (III)
A hipótese do monumento ser coevo de D. Diniz é a que apresenta mais raízes populares, além de ser defendida pela maioria dos autores, usando da argumentação seguinte:
- A arquitectura e os arcos tribulados são da época de D. Diniz. Idênticos arcos são usados na decoração do seu túmulo.
- A citada cruz floreteada é uma estlização e é igual a tantas outras que nos séculos XIII, XIV e XV encimavam as igrejas da época. Ela não representa mais que o símbolo supremo do cristianismo, não se identicando com a cruz de Aviz.
- O grande número de castelos existentes no escudo real era corrente no tempo de D. Diniz, pois ali mesmo, no seu Paço de Odivelas onde se ergeu o Convento, figuravam 24 castelos no escudo real.
O autor Mário Guedes Real que, embora mantendo a hipótese do monumento ser coeva de D. Diniz, sugeriu uma utilização ainda não mencionada, a de que “não é mais do que um simples cruzeiro monumental, um padrão de couto, demarcando os limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro”.
A favor deste autor reconhecem-se dois elementos válidos. Primeiro a historiografia do Mosteiro de Odivelas que pertenceu à Ordem de Cister, regista a sua fundação em terrenos onde D. Diniz possuía um couto, englobando a antiga Quinta da Memória e os Pombais, tendo sido doado com outros bens, à referida ordem. O segundo elemento é de qu, os outros locais de Portugal, onde a Ordem de Cister possui coutos, podemos encontrar marcos ou arcos semelhantes ao de Odivelas, como por exemplo, em Alcobaça.
- A arquitectura e os arcos tribulados são da época de D. Diniz. Idênticos arcos são usados na decoração do seu túmulo.
- A citada cruz floreteada é uma estlização e é igual a tantas outras que nos séculos XIII, XIV e XV encimavam as igrejas da época. Ela não representa mais que o símbolo supremo do cristianismo, não se identicando com a cruz de Aviz.
- O grande número de castelos existentes no escudo real era corrente no tempo de D. Diniz, pois ali mesmo, no seu Paço de Odivelas onde se ergeu o Convento, figuravam 24 castelos no escudo real.
O autor Mário Guedes Real que, embora mantendo a hipótese do monumento ser coeva de D. Diniz, sugeriu uma utilização ainda não mencionada, a de que “não é mais do que um simples cruzeiro monumental, um padrão de couto, demarcando os limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro”.
A favor deste autor reconhecem-se dois elementos válidos. Primeiro a historiografia do Mosteiro de Odivelas que pertenceu à Ordem de Cister, regista a sua fundação em terrenos onde D. Diniz possuía um couto, englobando a antiga Quinta da Memória e os Pombais, tendo sido doado com outros bens, à referida ordem. O segundo elemento é de qu, os outros locais de Portugal, onde a Ordem de Cister possui coutos, podemos encontrar marcos ou arcos semelhantes ao de Odivelas, como por exemplo, em Alcobaça.
IN: "O Memorial" - Junta de Freguesia de Odivelas 1997 - paginas 6 e 7.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Memorial de Odivelas (II)
No caso particular de Odivelas a maioria dos autores opinavam que terá servido apenas como poiso ou paragem de actos fúnebres, mas nunca surgiu a hipótese tumular.
Contudo as opiniões são divergentes entre as duas suposições.
A primeira é a de que o monumento é do século XV e que teria servido na transladação do rei D. Diniz, falecido em Santarém a 7 de Jabeiro de 1325 e que dali viria com destino ao mausoléu que na igreja do Convento de Odivelas o aguardava para a deposição do seu corpo. O monumento continuou a memoriar esse facto.
A segunda suposição diz que terá servido na transladação do corpo de D. João I falecido em 25 de Outubro de 1443 e que de Lisboa transitou para o Mosteiro da Batalha. O monumento teria sido erguido nessa época.
Em defesa da segunda suposição os autores baseiam-se em pormenores da arquitectura, no grande número de castelos – 13 – que guarnece o escudo real e na cruz floreteada que encima o monumento identificando-a com a Cruz da Ordem de Aviz, de que D. João I era Mestre.
IN: "O Memorial" - Junta de Freguesia de Odivelas 1997 - pagina 6.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Memorial de Odivelas (I)
quinta-feira, 23 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Mosteiro São Dinis (III)
Uma comunidade dois estatutos
Neste mosteiro viviam senhoras nobres com dois estatutos diferentes – as que professavam e eram freiras e as que nunca fizeram votos e eram simples recolhidas. As três primeiras abadessas estão neste número: D. Elvira Fernandes, D. Constança Lourenço e D. Urraca Pais.
A D. Elvira coube a tarefa de iniciar e organizar a vida desta comunidade, quando aqui se instalaram as primeiras religiosas. Não tive notícia do fim do seu abadessado, mas a 14 de Julho de 1300, já era abadessa D. Constança Lourenço, pois é assinada por ela, uma “constituição” de regras mais brandas, com o acordo do Rei, do Bispo de Lisboa e do Abade de Alcobaça, que igualmente assinaram. Esta D. Constança Lourenço pertencia a uma das mais nobres familias de Portugal e Castela e era irmã de D. Branca Lourenço, Senhora com a qual D. Dinis manteve uma relação amorosa, a quem doou a vila de Mirandela com seus termos, e provável mãe de D. Maria Afonso, cujo túmulo se conserva na Igreja do Mosteiro.
Em 1316 foi eleita pela comunidade D. Urraca Pais, por iniciativa da qual se reformou novamente a “constituição2, mas no sentido de maior rigor e observação da clausura, repondo a disciplina inicial.
No século XVI destacou-se a figura de D. Violante Cabral, familiar de Pedro Álvares Cabral (irmã ou sobrinha), pela boa governação da casa, e mais ainda por se lhe ficar a dever o auto da Cananeia, que Gil Vicente escreveu por encomenda sua e aqui representado em 1534 pela primeira vez.
No século XVII, por certo, a regra perdera todo o seu rigor, pois os ecos que até nós chegaram dão-nos indicios da brandura da regra. Segundo escritos desse tempo, D. Ana de Moura e D. Feliciana de Milão, despertaram o interesse do rei Afonso VI, que no largo do couto, exibia os seus dotes de cavaleiro na lida de touros.
No século XVIII, a todas sobrelevou a conhecida e famosíssima Madre Paula, que entrou no mosteiro com dezasseis anos incompletos. Para D. João V, vê-la e amá-la, foi inevitável. Que esses amores aconteceram, não temos como negá-lo, pois o seu fruto, o Infante D. José, que o rei legitimou e que foi criado com dois irmãos (de pai) em Palhavã.
A D. Elvira coube a tarefa de iniciar e organizar a vida desta comunidade, quando aqui se instalaram as primeiras religiosas. Não tive notícia do fim do seu abadessado, mas a 14 de Julho de 1300, já era abadessa D. Constança Lourenço, pois é assinada por ela, uma “constituição” de regras mais brandas, com o acordo do Rei, do Bispo de Lisboa e do Abade de Alcobaça, que igualmente assinaram. Esta D. Constança Lourenço pertencia a uma das mais nobres familias de Portugal e Castela e era irmã de D. Branca Lourenço, Senhora com a qual D. Dinis manteve uma relação amorosa, a quem doou a vila de Mirandela com seus termos, e provável mãe de D. Maria Afonso, cujo túmulo se conserva na Igreja do Mosteiro.
Em 1316 foi eleita pela comunidade D. Urraca Pais, por iniciativa da qual se reformou novamente a “constituição2, mas no sentido de maior rigor e observação da clausura, repondo a disciplina inicial.
No século XVI destacou-se a figura de D. Violante Cabral, familiar de Pedro Álvares Cabral (irmã ou sobrinha), pela boa governação da casa, e mais ainda por se lhe ficar a dever o auto da Cananeia, que Gil Vicente escreveu por encomenda sua e aqui representado em 1534 pela primeira vez.
No século XVII, por certo, a regra perdera todo o seu rigor, pois os ecos que até nós chegaram dão-nos indicios da brandura da regra. Segundo escritos desse tempo, D. Ana de Moura e D. Feliciana de Milão, despertaram o interesse do rei Afonso VI, que no largo do couto, exibia os seus dotes de cavaleiro na lida de touros.
No século XVIII, a todas sobrelevou a conhecida e famosíssima Madre Paula, que entrou no mosteiro com dezasseis anos incompletos. Para D. João V, vê-la e amá-la, foi inevitável. Que esses amores aconteceram, não temos como negá-lo, pois o seu fruto, o Infante D. José, que o rei legitimou e que foi criado com dois irmãos (de pai) em Palhavã.
Fonte: Páginas 36, 37 e 39 do livro: “Odivelas - Uma viagem ao Passado” de Maria Máxima Vaz
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Mosteiro de São Dinis (II)
Com toda a clareza afirma D. Dinis que a obra é feita em “honra de Deus, da Virgem Maria e ainda de S. Dinis e S. Bernardo, por sua alma e de seus familiares e em remissão dos seus pecados”. Esta é uma razão não menos importante, considerando a mentalidade daquele tempo. Mas há mais um motivo e que, na minha opinião (2) terá sido o verdadeiro, ou pelo menos, o mais forte:
“O intento que El-Rei teve para recolher nele religiosas... foi, ao que parece, porque tinha duas filhas bastardas, que desejava acomodar no estado de Religião, e a esse fim fundou junto à corte de Lisboa, este mosteiro, na qual uma dela tomou hábito...
Que fosse esta a causa ao menos parcial de se fazer o mosteiro... não parece pouco conforme à boa razão. (2)
O próprio autor da “Monarquia Lusitana”, frade cistercense, é de parecer que é “conforme à boa razão”, ser esta uma das causas, senão a causa principal, da fundação do Mosteiro de Odivelas.
Se assim foi, como interpretar a história do urso, ao que parece, contada pelo próprio rei? Parece-me que seria difícil obter o monarca, a aprovação da Corte e, em particular, da Igreja e da Ordem de Cister, se declarasse abertamente que desejava fundar uma casa religiosa para nela “acomodar” as filhas naturais. Um milagre, era uma justificação que não comprometia ninguém, enaltecia o rei e agradava a todos. D. Dinis provou que, além de excelente poeta e trovador, era também um talentoso contador de histórias e ainda um diplomata de reconhecido mérito.
(1) – Frei Francisco Brandão, Monarquia Lusitana, V parte, p. 219
(2) – Ibidem, p. 221 v.
Fonte: Páginas 34 e 35 do livro: “Odivelas - Uma viagem ao Passado” de Maria Máxima Vaz
terça-feira, 31 de março de 2009
Mosteiro de São Dinis (I)

A história de Odivelas está intimamente ligada ao “Mosteiro de São Diniz” chamado vulgarmente de “Mosteiro de Odivelas”. Pois foi à sua volta que foi crescendo a vila... hoje cidade de Odivelas.
Várias são as histórias relacionadas com a sua edificação. A que se conhece melhor e que se tornou a versão oficial é a da sua ligação a um milagre.
“Conta-se que, saindo El-Rei à caça no termo de Beja, num local chamado Belmonte, pertencente à freguesia de São Pedro de Pomares, próximo da ribeira de Odiana, viu um enorme urso, já conhecido pela sua ferocidade, naquela região. O Rei segui-o a cavalo e, numa quebrada, a fera escondeu-se, perdendo-o El-Rei de vista. Quando passou ao seu alcance, o urso lançou-se sobre o cavalo, atirou o cavaleiro ao chão e, segurando-o entre as patas, em breve lhe tiraria a vida se não fosse a intervenção sobrenatural. O Rei apelou a S. Luis, Bispo de Tolosa, que o salvasse, e prometeu mandar construir um mosteiro se dali saísse com vida. Tão sentida e fervorosa foi a súplica, que logo o Santo Bispo lhe apareceu, lembrando-lhe que puxasse do punhal que trazia à cintura e matasse o urso, o que D. Dinis fez sem demora e assim se livrou do feroz animal. Satisfeito o pedido havia que cumprir a promessa, “porque palavra de Rei não volta atrás”. O Local escolhido para esta obra distava, cerca de duas léguas de Lisboa, no dizer do cronista (Frei Francisco Brandão in “Monarquia Lusitana”), e chamava-se Odivelas, onde ELl-Rei possuía uma quinta designada por “Vale de Fores”. (1)
(1) - Página 33 do livro: “Odivelas - Uma viagem ao Passado” de Maria Máxima Vaz
Várias são as histórias relacionadas com a sua edificação. A que se conhece melhor e que se tornou a versão oficial é a da sua ligação a um milagre.
“Conta-se que, saindo El-Rei à caça no termo de Beja, num local chamado Belmonte, pertencente à freguesia de São Pedro de Pomares, próximo da ribeira de Odiana, viu um enorme urso, já conhecido pela sua ferocidade, naquela região. O Rei segui-o a cavalo e, numa quebrada, a fera escondeu-se, perdendo-o El-Rei de vista. Quando passou ao seu alcance, o urso lançou-se sobre o cavalo, atirou o cavaleiro ao chão e, segurando-o entre as patas, em breve lhe tiraria a vida se não fosse a intervenção sobrenatural. O Rei apelou a S. Luis, Bispo de Tolosa, que o salvasse, e prometeu mandar construir um mosteiro se dali saísse com vida. Tão sentida e fervorosa foi a súplica, que logo o Santo Bispo lhe apareceu, lembrando-lhe que puxasse do punhal que trazia à cintura e matasse o urso, o que D. Dinis fez sem demora e assim se livrou do feroz animal. Satisfeito o pedido havia que cumprir a promessa, “porque palavra de Rei não volta atrás”. O Local escolhido para esta obra distava, cerca de duas léguas de Lisboa, no dizer do cronista (Frei Francisco Brandão in “Monarquia Lusitana”), e chamava-se Odivelas, onde ELl-Rei possuía uma quinta designada por “Vale de Fores”. (1)
(1) - Página 33 do livro: “Odivelas - Uma viagem ao Passado” de Maria Máxima Vaz

Foto 1 - minha / Foto 2 - retirada da internet
terça-feira, 11 de novembro de 2008
A "ponte" sobre a ribeira em Odivelas.
Não se tratava bem de uma ponte mas sim de uma conduta de água para o Instituto de Odivelas.
As três fotos mostram as diferenças ao longo dos anos. Na primeira (principio dos naos 60... presumo eu) observam-se as antigas lavadeiras. A segunda (2005) só se já vê parte da arcada. Não sei se, o resto, caiu aquando das cheias ou do terramoto ocorrido nos anos 60. A última é de hoje e já não há ponte. Uma rotunda ligada a um viaduto sobre a ribeira.


Fotos: 1 (Arq.D.Lisboa) 2 e 3 (minhas).
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Cine Esplanada de Odivelas "ao fundo"...

Não gosto... nem nunca gostei... de saudosismos "bacocos". Estamos numa época de mudança e não se espera que tudo se mantenha igual. No entanto sinto alguma nostalgia por ver ser destruidas algumas das referências da minha juventude. Sobretudo quando estas são substituidas por outras de "valor duvidoso".
A Câmara Municipal de Odivelas enviou um comunicado de imprensa ao "Diário de Odivelas" no qual anuncia: "Devido às obras de requalificação da zona histórica da cidade de Odivelas, a partir do dia 10 de Outubro e durante um período de 5 dias, vai proceder-se à demolição da estrutura de betão, situada na Rua do Souto, de modo a construir-se o Parque de Estacionamento junto a este arruamento."
Requalificação histórica? Questiono-me eu...
Eu relembro aqui um pouco da "história que foi abaixo":
A Sociedade Musical Odivelense desperta para a magia do Cinema nos anos vinte do século passado, iniciando um processo que vai dar lugar ao primeiro Cinema em Odivelas.
As primeiras projecções cinematográficas decorreram numa sala cedida pelo Clube os Passarinhos, com sessões muito pontuais e de iniciativa privada.
Deste período inicial nada ficou registado sobre os filmes que foram exibidos. Porém, destas primeiras experiências cinematográficas resultaram dois factores: o fascínio pelo Cinema e a consciência de que esta actividade era altamente rentável. Assim, o espaço que o Cinema ocupa dentro das actividades da SMO vai sendo cada vez maior, transformando-o na década de 30 na principal actividade, lugar que vai ocupar até aos anos 70.
A partir 1931, com a edificação da Sede própria, a exibição de cinema ganha um carácter mais regular, registando-se a apresentação de Filmes como “A Maria Papoila “, “ A Aldeia da Roupa Branca “ ou “ O Ditador”.
As exibições efectuadas na sede, eram complementadas com as sessões de cinema ao ar livre, durante os meses de verão. Estas sessões inicialmente eram realizadas em espaços cedidos temporariamente para a realização da animação de Verão. Um dos primeiros locais onde foi projectado Cinema ao ar livre, foi no quintal do Sr. Antunes Branco, que no ano de 1938 o disponibiliza à S.M.O. Em 1956 o Cinema ao ar livre deixa de ter esta envolvência precária, com a negociação com o proprietário de um outro local, sito na
Rua do Souto, em Odivelas, o Sr. Valentim Duarte das Neves. É neste local que se virá a edificar a Cine Esplanada, cuja inauguração se efectua a 29 de Junho de 1956, dotando o Cinema ao ar livre de um espaço e vida própria.
O empenho dos órgãos dirigentes em desenvolver esta actividade de forma directa é visível no teor do ofício dirigido ao Sindicato Nacional dos Profissionais de Cinema, a solicitar que admitissem a exame “ … de segundo projeccionista o Sr. Sebastião Monteiro Freire …” , um dos directores da Direcção da Sociedade desse período.
A licença do título definitivo da exploração da esplanada como Cinema, só é atribuída pela Secretaria Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo em 1967, passando os odivelenses a dispor de uma sala de Cinema ao ar livre com uma lotação de 500 lugares.
Em: http://smodivelense.home.sapo.pt/
As primeiras projecções cinematográficas decorreram numa sala cedida pelo Clube os Passarinhos, com sessões muito pontuais e de iniciativa privada.
Deste período inicial nada ficou registado sobre os filmes que foram exibidos. Porém, destas primeiras experiências cinematográficas resultaram dois factores: o fascínio pelo Cinema e a consciência de que esta actividade era altamente rentável. Assim, o espaço que o Cinema ocupa dentro das actividades da SMO vai sendo cada vez maior, transformando-o na década de 30 na principal actividade, lugar que vai ocupar até aos anos 70.
A partir 1931, com a edificação da Sede própria, a exibição de cinema ganha um carácter mais regular, registando-se a apresentação de Filmes como “A Maria Papoila “, “ A Aldeia da Roupa Branca “ ou “ O Ditador”.
As exibições efectuadas na sede, eram complementadas com as sessões de cinema ao ar livre, durante os meses de verão. Estas sessões inicialmente eram realizadas em espaços cedidos temporariamente para a realização da animação de Verão. Um dos primeiros locais onde foi projectado Cinema ao ar livre, foi no quintal do Sr. Antunes Branco, que no ano de 1938 o disponibiliza à S.M.O. Em 1956 o Cinema ao ar livre deixa de ter esta envolvência precária, com a negociação com o proprietário de um outro local, sito na
Rua do Souto, em Odivelas, o Sr. Valentim Duarte das Neves. É neste local que se virá a edificar a Cine Esplanada, cuja inauguração se efectua a 29 de Junho de 1956, dotando o Cinema ao ar livre de um espaço e vida própria.
O empenho dos órgãos dirigentes em desenvolver esta actividade de forma directa é visível no teor do ofício dirigido ao Sindicato Nacional dos Profissionais de Cinema, a solicitar que admitissem a exame “ … de segundo projeccionista o Sr. Sebastião Monteiro Freire …” , um dos directores da Direcção da Sociedade desse período.
A licença do título definitivo da exploração da esplanada como Cinema, só é atribuída pela Secretaria Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo em 1967, passando os odivelenses a dispor de uma sala de Cinema ao ar livre com uma lotação de 500 lugares.
Em: http://smodivelense.home.sapo.pt/
Comentários para quê?!...
PS - Foto do cartaz tirada do site da Soc. Musical Odivelense.

foto que tirei em 2005.
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