quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ainda nos Bons-Dias.

Continuando ainda nos Bons-Dias os transportes eram escassos. A “Arboricultora” era a empresa detentora da exploração de transporte de passageiros. Os autocarros de Caneças para Lisboa eram espaçados no tempo. Bem como os de Montemor. Assim, quando havia que ir a Odivelas ou ao Senhor Roubado, e por qualquer razão não se conseguia apanhar o autocarro... ia-se a pé!...
Custava nos anos 60 (1$00 – 1 escudo para adulto e $50 – cinquenta centavos para uma criança) a viagem.
Para os “mais novos” era qualquer coisa como, ao custo de hoje em Euros:
- 1$00 equivale hoje a meio cêntimo. Ridículo não?!...


A primeira imagem - Rua Torcato Jorge (ao fundo da rua começava os Bons-Dias. À esquerda/cimo da foto a Serra da Amoreira) - Arquivo Mun. Lisboa (Anos 60)
A Segunda imagem - Autocarro da Arboricultora - (imagem cedida p/ amigo)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Lugar dos Bons-Dias

Por algum local tinha de começar. Assim sendo resolvi começar a escrever sobre o lugar onde vivo...
Há muitos que já sabem... outros se calhar nem tanto. Muitas vezes moramos em locais em que desconhecemos, por exemplo, o porquê do nome desse lugar.
Das poucas habitações que se construíram entre Odivelas e Caneças há uma pequena casa, junto à estrada principal, em que as pessoas passam quase diariamente e nem sequer reparam. Casa essa que terá, pelas minhas contas, mais de sessenta anos.
Essa pequena casa se pudesse falar muito teria para contar. Assistiu, durante toda a vida, à passagem de pessoas, animais e de veículos de toda a espécie.
Convém não esquecer que o norte de Lisboa eram só e quase hortas que haviam. Além de muitos moinhos de vento... casas muito poucas.
Lembro-me, em pequeno, de por ali passarem carroças. A carroça do “Ti Júlio” do peixe, a carroça do “homem do petrolino” (que vendia azeite, óleos, sabão, petróleo e outros), O “Ti Chico e a Ti Carlota” que vendiam leite à porta transportado por um jumento enfim... um “sem número” de personagens que por ali passavam.
A casa nada tem de especial que chame a atenção. A não ser uma pequena placa em metal esmaltado em que está escrito: “Bons Dias”.
Serviu durante anos de referência a quem por ali passava para cima e para baixo.
“-Segue na estrada e junto à curva dos Bons-Dias (casa)...”.
Era um modo de identificar aquele pequeno lugarejo que muito mais tarde chegou a ter uma placa identificativa com esse nome e que foi, não sei porquê, posteriormente retirada.
Um dia destes hei-de aqui colocar uma foto com essa placa. Não o faço agora porque tenho de a retirar dum filme que na altura fiz com a minha máquina de vídeo.
Para quem não sabia... eis a razão do nome do lugar dos Bons-Dias. Tão simples quanto este lugar...

(Fotos pessoais)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A história... possível.


Comecei, após os dois últimos artigos, a pensar num projecto que tenho vindo a pensar e a adiar há muitos anos.
Vivo neste lugar dos “Bons-Dias” há meio-século. Assisti a muita “coisa” e ouvi muitas histórias.
Aquilo a que me proponho fazer não tem a ver com saudosismos “bacocos” nem fazer reviver “seja o que for”. Vou tentar, e sublinho tentar, dar um retrato fiel, tanto quanto possível destas terras (Odivelas, Ramada, Bons-Dias, Caneças, Olival Basto, Póvoa Santo Adrião, Aires, Chapim, Pedernais, Serra da Amoreira, etc.), das suas gentes, do seu modo de viver.
É evidente que tudo irá depender de tudo o que conseguir reunir de pessoas mais velhas que tenham em seu poder fotos “antigas” ou relatos de “estórias” várias.
A esta distância é tarefa árdua a que me proponho fazer. No entanto o entusiasmo não me falta. Espero poder vir a contar com a ajuda de todos os que quiserem ajudar.
Eu tenho algum “material” que tenho recolhido ao longo de vários anos. É um principio de “caminhada”... que quero partilhar pelo simples gosto de partilhar.

Foto: Eu e os meus pais / Bons-Dias 1962

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Fonte das Piçarras - Caneças


Bem perto de Lisboa fica Caneças. Vila considerada, outrora, de bons ares e boa água. Não admira que existissem bastantes fontes. Algumas delas ainda existem. Fontes essas donde se enchiam as famosas “bilhas de água de Caneças” que eram vendidas em Lisboa de porta em porta.
Ainda me lembro de ver camionetas, que passavam ao fundo da rua, “carregadinhas” de bilhas...

“A fonte das Piçarras foi construída em 1898, mas só em 1933 se autorizou a exploração e venda da sua água. Inspirada num dos mais emblemáticos monumentos nacionais, o Mosteiro dos Jerónimos, é uma evocação e exaltação dos elementos decorativos do século XVI. Possui um corpo avançado de estilo neo-manuelino, composto por três arcos canopiais que alternam com três arcos agudos que assentam em colunas com capitéis e fustes em espiral. Nas juntas dos arcos existem pequenas gárgulas com a forma de cabeças felinas. Na parte superior são, também, perceptíveis medalhões com representações de caravelas, da Cruz de Cristo, da Esfera Armilar e outros elementos decorativos revivalistas. A rematar esta arcaria, uma platibanda com pináculos espiralados. O primeiro arco canopial, do lado esquerdo é utilizado como pórtico a um escritório cuja fachada é decorada, na parte inferior, por albarradas e, no interior da fonte, temos uma parede de azulejos em alto relevo, com representações de índios, fauna e flora.”
In - http://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=6908625

Sabes, já tenho casa em Caneças, é na situação e por acaso tem o feitio que eu tinha imaginado, e que eu havia indicado a meu pai e a meu irmão, que lá foram.

A minha nova pequena casa é tudo o que há de mais rústico e de mais pitoresco; da janela do meu quarto, estendo o braço, toco a rama dum pinheiro balsâmico e bravo. De roda tudo pinhais espessos e rumorejantes. Não fica na Caneças oficial, dos Hintzes e dos hotéis; fica longe, do outro lado das ribeiras e dos pomares, no sítio a que chamam O lugar d’além. Sabes quem fez esta minha habitação? Foi o próprio dono, mestre carpinteiro e marceneiro, à hora presente fabricando com mais 30 carpinteiros, numa grande oficina do Aterro, uma rica mobília para a princesa de Orléans. (…)"

Cesário Verde, 16 de Junho de 1886


In - http://canecas_odivelas.blogs.sapo.pt/5607.html

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O monte da minha infância.


Ao fundo da minha rua há um monte. Dantes havia uma "Fábrica de Mosaicos" e um moinho de vento. Hoje não existe nenhum deles...
Era lá no alto que eu, e os meus amigos, brincávamos aos indios e "cowboys".

Hoje no monte está um "placard" a dizer que brevemente irá ser ocupado por "betão"...
Foto pessoal dos anos 70 (Lugar dos Bons-Dias)-Ramada

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Eu quero é viver!...

Achei...


Ao fundo da minha rua olhei para o chão e lá estava "ela"... bem "direitinha da Silva"...