terça-feira, 11 de novembro de 2008

A "ponte" sobre a ribeira em Odivelas.

Não se tratava bem de uma ponte mas sim de uma conduta de água para o Instituto de Odivelas.

As três fotos mostram as diferenças ao longo dos anos. Na primeira (principio dos naos 60... presumo eu) observam-se as antigas lavadeiras. A segunda (2005) só se já vê parte da arcada. Não sei se, o resto, caiu aquando das cheias ou do terramoto ocorrido nos anos 60. A última é de hoje e já não há ponte. Uma rotunda ligada a um viaduto sobre a ribeira.









Fotos: 1 (Arq.D.Lisboa) 2 e 3 (minhas).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

As Quintas da Paiã


Hoje vamos um pouco mais para oeste do Concelho. Vamos até às quintas da Paiã. Outrora lugares de refúgio dos lisboetas...

Todo o vale da Paiã e a própria Freguesia da Pontinha faziam parte, no século XIX, da freguesia de Carnide. Toda esta área estava dividida em quintas e casais de que restam ainda algumas das designações iniciais (nomeadamente a Quinta do Enforcado).
As quintas eram parte da zona saloia, também chamada Termo de Lisboa, e os seus habitantes dedicavam-se à agricultura, vendendo depois os seus produtos nos mercados da capital (o Rio da Costa foi utilizado para o escoamento de produtos hortícolas).
Os arredores de Lisboa eram local de veraneio para as famílias burguesas da capital, dos séculos XVII e XVIII, onde passavam férias, convalesciam, vinham dar à luz.
Na Paiã, mais concretamente, foram edificadas várias capelas e ermidas, que deram muitas vezes nome às quintas em que estavam integradas.
Chegaram a habitar neste vale os frades de Rilhafoles. Em consequência do terramoto 1755 «a Paiã viu aumentar a sua população em cerca de quatrocentas pessoas que fugiam ao terror da destruição de Lisboa»
Com o passar dos anos, as quintas foram sendo abandonadas e passaram para a administração primeiro da Junta Distrital de Lisboa, agora do Governo Civil de Lisboa. Dada a sua vocação agrícola estiveram também sob a chancela da Escola Profissional Agrícola cujos terrenos cultivava e cuidava. Devido a isto muitos funcionários da escola passaram a habitar as casas das Quintas.

Quinta de Santo Elóy

Provavelmente o mais belo edifício dos que constituem o núcleo a que chamámos Quintas da Paiã.
Situado na confluência da Estrada da Paiã com a Estrada de Stº Elóy, esta quinta data de há cerca de 200 anos. Segundo um folheto da Junta de Freguesia da Pontinha a casa teria sido mandada construir pelo Marquês de Pombal, em consequência do terramoto de 1755.
O edifício, de traça neoclássica, conserva ainda hoje uma certa imponência. Os tectos da casa retratavam cenas campestres, o mesmo acontecendo como os vitrais das bandeiras das portas.
Aqui existiram grandes pomares de laranjeiras e nogueiras, havendo também uma horta e uma adega.
A casa foi utilizada como Enfermaria daí as divisões serem inicialmente poucas. Posteriormente foi dividida em quatro habitações, utilizadas por funcionários da Escola Agrícola da Paiã.
O adiantado estado de degradação da casa, visível na fachada, nos telhados, etc. parece agora irreversível…
Uma mais atenta observação parece indicar que a casa foi aumentada, uma vez que, se repararmos, a fachada não é uniforme: de um lado temos um friso de azulejos policromos, perto da beirada do telhado, , do outro uma barra em azul, algo desvanecida. Do mesmo modo, de um lado temos apenas janelas, do outro pequenas varandas com as guardas em ferro forjado. O mesmo se constata no telhado que não é uno.


Nota: Maio de 2008 – Trabalho dos Alunos do 1º Ano da Turma D Curso Profissional da Técnico de Gestão de Ambiente.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Povoados do Concelho

Nora 1961 - várzea de Odivelas

Muitos dos actuais habitantes do Concelho de Odivelas moram em zonas onde, outrora, se iniciaram pequenos povoados rurais. Grande parte dos mesmos desconhece o porquê dos nomes e o que anteriormente existia antes dos actuais blocos habitacionais.

“Da Serra da Amoreira ao planalto de Famões, há notícia de quatro pequenos povoados: a Ramada e a Amoreira são referidas por Raul Proença, no primeiro quartel do século XX; o lugar de Famões e de Trigache, aparecem nas Memórias Paroquiais de 1758, onde se diz que o lugar de Trigache tinha, na altura, mais pessoas do que Famões – 46 – e que neste último, habitavam, apenas, 44 indivíduos.
Nas terras altas que, de Nordeste a Oeste, cercavam a várzea (Odivelas), para além destes quatro núcleos, existiam algumas quintas e vários casais, onde se cultivavam cereais, oliveiras, laranjeiras, se apascentavam rebanhos e se criava gado “vacum”. Nos mapas do princípio do século (XX), assinalavam-se as quintas seguintes, de nascente para poente: Quinta Nova, Quinta do Alvito, Quintas das Peles (é hoje a Quinta dos Cedros, donde se fraccionou a Quinta do Avô Henriques), a Quintas das Pretas D’El-Rei e a Quinta das Dálias.
Os casais são mais numerosos: Casal Ventoso (hoje, Casal do Chapim, do nome dos últimos rendeiros), Casal da Paradela, do Carrasco, da Granja, da Carochia, das Queimadas, do Segolim, da Pedreira, do Saramago, do Casal do Abadesso e Casal de S. Sebastião.
A produção de cereais exigia lugares de concentração, para a tarefa da debulha, que se fazia em quatro eiras, situadas, uma, na Quinta Nova, duas, no Casal Carrasco e uma quarta, no Casal do Chapim.
A corrente, precipitada e impetuosa no Inverno, da ribeira de Caneças, os ventos fortes e constantes, na Primavera e no Verão, que sopravam no planalto, possibilitaram o aproveitamento da força da água e do vento, transformando-a em força motriz. Junto à ribeira, instalaram-se dezasseis azenhas e, das colinas da Amoreira ao planalto de Famões, ergueram-se para cima de três dezenas de moinhos de vento.
Desta intensa labuta restam hoje as ruínas de algumas azenhas e moinhos, três moinhos restaurados, o das Covas, na Ramada (datado de 1884), outro na Arroja e ainda o moinho da Laureana em Famões.”


In: “Odivelas – Uma Viagem ao Passado”
De: Maria Máxima Vaz



A mesma nora em 2008
Fotos:de 1961(Arq.M.Lisboa)-2008(minha)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As Casas da velha aldeia

(velha casa na Rua Estevão Amarante)
A Ramada anterior à década de 1960, era uma pequena aldeia edificada de um lado e outro de uma antiga estrada que ligava Odivelas a Caneças, seguindo de perto a ribeira, no fundo do vale. Esta estrada passava sobre a ribeira numa ponte construída na base do monte e subia pelo Alvejar e Pedernais Norte, até à Ponte da Bica Aqui voltava a atravessar a ribeira em frente da Tomada da Amoreira. Este percurso era provavelmente mais antigo do que aquele que segue pela encosta e que hoje tem os nomes dos famosos aeronautas nacionais, Sacadura Cabral (Bons-Dias) e Gago Coutinho.
A estrada referida em primeiro lugar e a aldeia que servia, seguiam, contra a corrente da ribeira, de sudeste para noroeste, desde o ponto em que esta deixa de correr de Noroeste para Sudeste e passa a correr para Sul, para se juntar, em Odivelas, a outra que vem do vale da Pontinha.
A povoação era praticamente constituída por uma só rua, agora dividida em duas: Estevão Amarante e Aura Abranches. De cada uma destas saía para norte um caminho ou azinhaga que servia um pequeno número de habitações, construídas nas traseiras da rua principal. Afastadas desta rua havia, de um lado e do outro, algumas casas dispersas.
No primeiro quartel do século XX, todas as estradas eram de terra batida ou, quando muito, beneficiadas com pedra britada calcada precariamente por um “rebolo” , cilindro de pedra puxado por uma junta de bois. Eu andei por aqui em 1932 e l933. Ainda não havia nesse tempo, nenhuma estrada nova, um metro de asfalto que fosse, para aquém da Calçada de Carriche.
A Ramada teria menos de uma centena de casas, de um só piso, algumas das quais foram transformadas, na primeira metade do século XX, com o acrescentamento de mais um andar, e a utilização de telha “marselha”, como se vê ainda, sobretudo no lado norte da rua Estevão Amarante. A maior parte das restantes foram demolidas, para dar lugar a prédios de vários andares, em princípios da segunda metade do mesmo século.
A estas transformações escapou um pequeno número, que hoje, na maior parte, se encontra sem condições de habitabilidade ou completamente degradadas. Entre estas vêem-se ainda algumas cobertas com a velha telha de canudo. Diante da escola primária construída no tempo do regime anterior, estão ainda erguidas as paredes de uma construção robusta, com três portas e três janelas, seguida de um portão ainda em uso e continuada por um muro de pedra negra. No alto das paredes percebe-se, pelos restos de algerozes e beirados, que a cobertura era do tempo da telha de canudo. Apesar de ter três portas, parece tratar-se de uma só habitação, tanto mais que só uma das empenas tem encostada uma chaminé. A boa construção das paredes, o portão e o muro parecem indicar que foi ali a residência de alguém importante. Nas traseiras alonga-se, até à ribeira, um pedaço de terreno plano, que foi horta e pomar de um morador de posses acima da média. Ainda ali estão, viçosas, algumas velhas árvores de fruto.
A um canto deste aglomerado tipicamente rural, uma coisa nos espanta: Dois blocos habitacionais interligados, formando um angulo agudo, em que ninguém repara, parece um enigma. Quem alguma vez olhou para ali com atenção, já viu que se trata de um prédio com duas alas, uma das quais encostada ao monte cortado pela velha estrada. Entrando por um pátio já desabitado, onde houve diversas casas abarracadas, hoje meio destruídas, encontramo-nos no espaço que dava entrada à maior parte dos utilizadores do estranho edifício. Vemos ali dois conjuntos de quatro pisos de apartamentos, servidos por quatro chaminés. Há ainda uma quinta chaminé que parece indicar um aproveitamento exagerado, no topo do bloco da beira da estrada. Entre estas construções e a ribeira, perpendicular à ala do sul há ainda um outro corpo com apenas três pisos. Este, visto de longe, parece que teria ligação interior com o conjunto.. Encontra-se em estado de degradação acelerada.
Aqui deveria entrar a investigação, começando, por exemplo, por consultar, os arquivos do registo predial. A minha vista cansada de noventa anos de serviço, não mo consente. Mas não me fico por aqui. Apresentarei lá mais adiante o que se me oferece a este respeito.


Extracto de artigo escrito por: António Joaquim Mendes Cerejo – Morador da Ramada (90 anos idade)
(Escrito em Abril/2005)


(Patos na Ribeira da Ramada)
Fotos minhas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Mesmo local há 40 anos...

Estas escadas permitiram a ligação dos Bons-Dias à Ramada (e vice-verso). Quantas vezes eu subi e desci estas escadas para ir à escola...
Se repararem a Arroja, ao fundo, eram só campos...
(1ª Foto retirada do Arquivo Municipal de Lisboa) 

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Os primeiros habitantes... pré históricos


Não abundam as fontes históricas sobre o concelho nem sobre esta freguesia da Ramada. Tenho-me socorrido de vários trabalhos já efectuados por alguns historiadores e curiosos acerca deste assunto.
É o que acontece com este pequeno texto extraído do livro: “Odivelas Uma viagem ao Passado” da historiadora Maria Máxima Vaz.

“Dizem os arqueólogos contemporâneos que, nesta região, viveram os primeiros ocupantes de toda a região de Lisboa e que isso aconteceu, mais ou menos, há uns 500.000 anos. Consideram a bacia sedimentar do Rio Trancão o centro mais importante de povoamento da região de Lisboa.
Os cursos de água deste Concelho fazem parte da bacia sedimentar do Trancão e, por isso, podemos considerar que no, nosso solo, viveram os primeiros habitantes da região de Lisboa.
As várias estações arqueológicas aqui descobertas, levaram a essa conclusão, pelos materiais que nelas foram encontrados.
Entre 1910 e 1912, foi o Dr. Joaquim Fontes que fez aumentar o número das estações conhecidas, quando descobriu uma estação a que pôs o nome de Monte da Bica ou Serra da Amoreira, não estando ainda claro se é só uma estação ou se serão duas.
Mas a maior descoberta deste tipo foi feita por um homem que nem sequer era arqueólogo – o Senhor Francisco António Carlos Ribeiro, funcionário do Banco de Portugal. Era natural de Faro, onde nasceu, em 1889, e onde iniciou os estudos liceais, que veio a terminar no Liceu da Lapa, em Lisboa, no ano de 1908.
Em 1910, residia em Odivelas, de onde era natural a sua esposa. Tendo adoecido, durante a convalescença deu alguns passeios pelas proximidades, entre 1920/1925. Nessas caminhadas, veio a descobrir quatro dólmens em Trigache (referido também em:
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/?id=1148 ; “Revista de Guimarães” e http://www.ipa.min-cultura.pt/pubs/RPA/v7n1/folder/05.pdf). Fez fotografias dos monumentos (uma delas acompanha este relato), desenhou as plantas, descreveu-os minuciosamente e escavou-os com cuidado, tendo encontrado numeroso espólio - cerâmicas partidas, lâminas de sílex, machados, enxós, núcleos, pontas de seta, placas de xisto antropomórficas, contas, alisadores e inúmeros micrólitos. Todos estes materiais foram catalogados e guardados em sua casa.
Quando faleceu, em 1951, o seu sobrinho e herdeiro, A. Ribeiro Ferreira, entregou tudo, incluindo fotografias e plantas, ao Dr. Octávio da Veiga Ferreira que, juntamente com a Dra. Vera Leisner, fizeram um criterioso estudo que veio a ser divulgado em várias comunicações e publicações da especialidade.
Destas antas, salvou-se o espólio guardado no Museu Geológico e as imagens que se devem a Carlos Ribeiro, seu descobridor, visto que os monumentos foram destruídos pela exploração das pedreiras que haviam no local.
Em 1963, o arqueólogo Gustavo Marques encontrou mais uma estação – o Casal Carrasco – onde recolheu alguns materiais, e o Dr. Renato Monteiro recolheu numerosos achados, numa estação que descobriu, junto do Moinho das Covas, na década de 80. (hoje está inserido no espaço da Escola Secundária da Ramada).”
foto que retirei do livro: "Odivelas - Uma Viagem ao Passado"

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Lavadeiras Saloias - 1925


Numa das minhas "pesquisas" descobri no site da Hemeroteca exemplares (digitalizados) de vários documentos. Dentre estes vim a dar com uma publicação de Agosto de 1925 do "Domingo Ilustrado". A capa é dedicada : "As Lavadeiras Saloias". o comentário de rodapé tem o seu "quê" de bucólico e refere:
"Junto da infeliz população das nossas cidades, uma outra gente portuguesa, mais livre e mais tranquila, vive e medra: O povo campesino e provinciano. A mulher saloia é um bom exemplo do trabalhador rural que apenas vem à cidade para o seu negócio."