segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ajax de... Odivelas


Começou por ser uma brincadeira de amigos, todos casados e com uma ligação desportiva ao futebol. Faziam jogos de futebol e, um dia, resolveram formar um grupo desportivo. Foram 13 os sócios fundadores que deram o nome ao clube e têm agora uma placa de recordação nas suas intalações. 17 de Maio de 1969 ficou marcado pela fundação oficial do clube recreativo do espírito santo – Ajax, uma Associação Recreativa.
O nome era para ser só ajax, o clube holandês que conquistou o título de campeão europeu ao Benfica, em 1968, e que na altura tinha muito sucesso, mas o governo português não o autorizou. No entanto ficou para sempre Ajax.
Chegaram a fazer-se contactos com o verdadeiro Ajax, que autorizou que o nome fosse dado ao Clube do Espírito Santo, e o clube chegou a vir a Odivelas e a enviar postais ilustrados e equipamentos que ainda hoje estão expostos na nossa sede.
O futebol e as excursões turísticas começaram por ser as actividades principais; nos anos 80 teve o seu auge com o atletismo mas foi com o futebol que comecou a dar os primeiros passos como colectividade. Teve boxe,ginástica ritmica,damas,xadrez,karaté,e cicloturismo. As modalides principais foram desaparecendo; hoje mantem a capoeira,dança e cicloturismo. Luis Lopes é o actual presidente da Direcção, sócio há 21 anos ainda se lembra dos tempos em que se faziam grandes eventos como bailes de fim-de-ano, festa de carnaval com os trajes a rigor aonde se elegiam o rei e a rainha, onde na nossa sede se juntavam os sócios e os filhos dos sócios à sexta feira à noite depois de um dia de trabalho para se reunirem num convivio - elas faziam as rendas, eles jogavam às cartas e ao dominó, e os filhos brincavam na rua e quando batiam as 23h30 vinha o esperado pão quente com manteiga, hoje tudo isso acabou. Mas os sócios continuam a aparecer e a juntar-se para uma partida de cartas ou uma conversa de final de tarde.
Hoje todos nos sentimos tristes; em qualquer colectividade se sente desilusão ao ver as coisas como eram e como estão agora e não poder fazer nada, ter mais sócios e mais apoios era uma ajuda que o clube considera valiosa para poder ter mais oferta de modalidades e melhores condições para oferecer. Mesmo assim, e com o esforço da contenção, já foi possivel fazer obras de melhoramento na sala do bar e na de dança e capoeira. Tudo à custa das quotizações pagas pelos cerca de 500 sócios e um grande esforço de poupança, com a ajuda preciosa dos elementos da direcção.
Hoje são esses miudos que brincavam à porta da sede do clube como eu Luis Lopes Presidente da direcção que fazem parte dos corpos gerentes do clube, como é o caso do Vice-Presidente Tiago Fernandes, Paulo Rodrigues Tesoureiro, Miguel Lopes Secretário, Maria do Céu Secretária e professora da nossa escola de dança, na qual se consegue manter mais de 40 crianças em actividade.
Retirado de "O Meu Jornal".

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Senhor Roubado nos anos 60...

A pé ou de burro...
foto - Arq.Dist.Lx

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Coreto de Odivelas – II


É de admitir que antes da construção do CORETO já existisse nos habitantes locais, uma enraizada tradição e gosto musical, como ainda se verifica e é praticado na actual Banda.
Em 1863 é fundada a SOCIEDADE PHILARMÓNICA ODIVELENSE, com sede no actual Largo D. Dinis, cujos estatutos preveem apenas duas qualidades de sócios: os tocantes e os ouvintes. Mais tarde a designação da colectividade é transformada em SOCIEDADE UNIÃO 29 DE JUNHO DE 1863, mas, tal como a primeira, a principal finalidade é a Banda de Música. São estas, em resumo, as origens da actual SOCIEDADE MUSICAL ODIVELENSE.
Não se pode falar desta colectividade sem enaltecer, mais uma vez, o vigor do associativismo e da força de vontade, do poder das pessoas quando unidas com propósitos válidos. Refiro o seguinte facto: a aquisição do terreno e a construção inicial da actual sede foram obra de um grupo de indivíduos que cerca dos anos 1928/29 formaram uma COMISSÃO PRÓ-MELHORAMENTOS e assim custeram o empreendimento das Acções.
A existência desde 1863 de uma Banda de Música em Odivelas, justificava plenamente a ambição de dispôr de um CORETO, não só desejado pelos executantes, pela exigência do aperfeiçoamento musical, mas também pelos “ovintes” como local público e permanente de audição.
Além disso os concertos nos coretos requeriam uma certa qualidade. Nos documentos consultados, refere-se uma despesa especial, em 1833, de pagamento ao mestre, por “toque no coreto”.
Pelos factos citados era importante possui um CORETO e, naturalmente, constatavam-se as tentativas para o obter. Assim, em 12 de Junho de 1889 “A Assembleia reunida, a fim de tratar dos festejos a fazer no dia 29 de Junho, aniversário da Sociedade, resolveu que a Direcção se encarregaria de solicitar à Exmª Câmara de Belém, o empréstimo de madeira e panos dalgum dos coretos que serviam nas festas, a fim de ser armado no Largo do Couto e ali tocar a philarmónica não só no dia 29, ams também aos domingos”.
No que se refere à construção do actual CORETO, pode-se afirmar que se iniciou em 1910 tendo sendo concluido em 1913, como se conclui da “Relação dos subscritores para o acabamento do coreto na Praça D. Dinis em Odivelas”. Foi transferido em 1951/52 para o jardim, onde actualmente se encontra, para no mesmo sitio ser colacada a estátua da Rainha Santa.


Texto retirado de: “O Coreto” – Publicação da Junta de Freguesia de Odivelas (1997)
Fotos minhas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Coreto de Odivelas - I



A memória do povo de Odivelas, como a de todos os povos, não se esgota apenas nos grandes acontecimentos, mas completa-se com este ou aquele pormenor, como é exemplo o asuunto que nos propomos tratar – O CORETO – sobretudo pela ilacção que a sua feitura encerra, pois que resultou da deliberada vontade de pouco mais de meia centena de habitantes que tornaram possível a sua construção, por subscrição pública, num tempo de notórias dificuldades económicas.
Mas antes de divagarmos sobre o étimo CORETO.
Etimoçogicamente, é um diminutivo, significando “pequeno coro, coro para música, armado para festa de arraial”.
A Enciclopédia Italiana também focaliza esta caracteristica dimensional, mas relaciona o termo, apenas com o factor religioso “pequeno coro onde as pessoas podiam assistir à missa – nas igrejas – separadas por gradeamento”.
Lopes Graça atribui-lhe uma versão religiosa e outra profana, sendo a esta que se adapta o CORETO DE ODIVELAS “Tablado fixo ou provisório, que nas praças públicas se levanta para concertos musicais, geralmente das bandas civis e militares”.
Quanto ao motivo e à época em que aparecem os coretos, sabe-se que surgem nos finais do Séc. XVIII, mercê da transformação operada na sociedade de então, por influência da Revolução Industrial que favoreceu o desenvolvimento económico, trazendo novos hábitos às diversas classes sociais.
A época coincide com um alastramento do espirito cultural e associativista que se traduz, na parte musical que nos interessa, na fundação das Sociedades Recreativas e Musicais, com as uas Filarmónicas e Bandas, cuja existência se desenvolve a para da influência e da evolução das Bandas Militares.

Texto retirado de: “O Coreto” – Publicação da Junta de Freguesia de Odivelas (1997)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Memorial de Odivelas (IV)


Os elementos consultados conduzem-nos a admitir que o monumento de Odivelas é coevo de D. Diniz, mas não nos permitem determinar exactamente nem a data da sua construção, nem a primeira finalidade para que foi construido.
Inicialmente poderá ter servido para marco de couto, mas não há dúvida de que serviu a cerimónias fúnebres.
O local, o cimo do outeiro à vista da Igreja do Convento de Odivelas, onde o esperava o túmulo, terá sido aproveitado para a paragem do féretro de D. Diniz, a fim de se organizar o cortejo, de acordo com o ritual do tempo.
Quando da transladação de D. João I, de Lisboa para a Batalha, do mesmo modo, o local e o monumento está relacionado com a natural paragem do féretro dada a proximidade do Convento, onde, naturalmente, a comitiva terá pernoitado.
Contudo torna-se difícil situar exactamente a data da sua feitura, principalmente pelas adulterações que o monumento terá sofrido, nas diversas adaptações às cerimónias em sucessivas épocas, como sempre foi e continua a ser prática corrente a de "lavar a cara" aos locais que vão sendo visitados por "Suas Excelências".


IN: "O Memorial" - Junta de Freguesia de Odivelas 1997 - paginas 7 e 8.
foto que tirei em 2005.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Memorial de Odivelas (III)



A hipótese do monumento ser coevo de D. Diniz é a que apresenta mais raízes populares, além de ser defendida pela maioria dos autores, usando da argumentação seguinte:

- A arquitectura e os arcos tribulados são da época de D. Diniz. Idênticos arcos são usados na decoração do seu túmulo.

- A citada cruz floreteada é uma estlização e é igual a tantas outras que nos séculos XIII, XIV e XV encimavam as igrejas da época. Ela não representa mais que o símbolo supremo do cristianismo, não se identicando com a cruz de Aviz.

- O grande número de castelos existentes no escudo real era corrente no tempo de D. Diniz, pois ali mesmo, no seu Paço de Odivelas onde se ergeu o Convento, figuravam 24 castelos no escudo real.

O autor Mário Guedes Real que, embora mantendo a hipótese do monumento ser coeva de D. Diniz, sugeriu uma utilização ainda não mencionada, a de que “não é mais do que um simples cruzeiro monumental, um padrão de couto, demarcando os limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro”.
A favor deste autor reconhecem-se dois elementos válidos. Primeiro a historiografia do Mosteiro de Odivelas que pertenceu à Ordem de Cister, regista a sua fundação em terrenos onde D. Diniz possuía um couto, englobando a antiga Quinta da Memória e os Pombais, tendo sido doado com outros bens, à referida ordem. O segundo elemento é de qu, os outros locais de Portugal, onde a Ordem de Cister possui coutos, podemos encontrar marcos ou arcos semelhantes ao de Odivelas, como por exemplo, em Alcobaça.


IN: "O Memorial" - Junta de Freguesia de Odivelas 1997 - paginas 6 e 7.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Memorial de Odivelas (II)


O “Memorial” de Odivelas, como outros existentes no país, estão quase semmpre relacionados com actos fúnebres, por vezes de uma forma permanente por se lhe atribuirem funções tumulares, outra, com carácter transitório para poiso ou paragem de féretros antes de atingirem o seu destino.
No caso particular de Odivelas a maioria dos autores opinavam que terá servido apenas como poiso ou paragem de actos fúnebres, mas nunca surgiu a hipótese tumular.
Contudo as opiniões são divergentes entre as duas suposições.
A primeira é a de que o monumento é do século XV e que teria servido na transladação do rei D. Diniz, falecido em Santarém a 7 de Jabeiro de 1325 e que dali viria com destino ao mausoléu que na igreja do Convento de Odivelas o aguardava para a deposição do seu corpo. O monumento continuou a memoriar esse facto.
A segunda suposição diz que terá servido na transladação do corpo de D. João I falecido em 25 de Outubro de 1443 e que de Lisboa transitou para o Mosteiro da Batalha. O monumento teria sido erguido nessa época.
Em defesa da segunda suposição os autores baseiam-se em pormenores da arquitectura, no grande número de castelos – 13 – que guarnece o escudo real e na cruz floreteada que encima o monumento identificando-a com a Cruz da Ordem de Aviz, de que D. João I era Mestre.


IN: "O Memorial" - Junta de Freguesia de Odivelas 1997 - pagina 6.