quinta-feira, 30 de agosto de 2012

I'm back!...


Ainda com um "saborzinho" a férias aqui estou de novo para continuar a "senda" de falar um pouco dos assuntos do "nosso" concelho.
Nada melhor para começar do que o conselho para lerem um livro acerca de receitas da última freira de Odivelas...

sábado, 11 de agosto de 2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Arboricultora - autocarro.


Foto tirada em Seia (possivelmente uma excursão).
Imagem retirada do facebook. Página "Odivelas de outros tempos".

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A revolta das freiras de Odivelas.


Ventura Isabel Dique de Sousa, freira bernarda do Mosteiro de Odivelas, nascida no Rio de Janeiro em 1688, enviada para Lisboa em 1705, noviça em 1706 e freira em 1709, saiu no auto-de-fé de 9/7/1713, na sequência da denúncia de judaísmo feita, em 1712, contra seu pai, João Dique de Sousa, abastado senhor de engenho no Brasil, que teve onze filhos de três mulheres e enviara as filhas para um convento. Foi assim que aquela infeliz freira de Odivelas se encontrou naquele Mosteiro com uma considerável lista de familiares: a própria mãe, três meias-irmãs, uma tia, três primas e uma tia-avó. No referido auto-de-fé desfilariam dois meios-irmãos da freira, que seriam condenados a cárcere e hábito perpétuo, enquanto seu pai persistia na negação da sua condição cristã-nova, o que lhe custaria sair «relaxado em carne» no auto-de-fé do ano seguinte, em que foi queimado vivo. Um outro meio-irmão de D. Ventura seria também condenado, no auto-de-fé de 1716, a cárcere e hábito perpétuo.

A família Dique de Sousa tinha, efectivamente, raízes judaicas no Brasil. D. Ventura entraria nos cárceres dos Estaus em 26/6/1713, para ser rapidamente interrogada, de forma a poder sair em auto-de-fé menos de duas semanas depois, em que abjurou suas «culpas» de judaísmo e foi condenada a perpétua clausura no Mosteiro, onde tanto gostava de estar. Nomeou-se confessor para a devolver a Odivelas, mas a execução da sentença não foi tarefa fácil, visto que as quatrocentas freiras a rejeitaram por «impura». O Santo Ofício não gostou da recusa e tentou reconduzi-la ao mosteiro, mas encontrou todas as suas portas e janelas ostensivamente encerradas, tendo que regressar ao Palácio dos Estaus (sede da Inquisição) sem sequer ter conseguido falar com a Madre, pois as freiras fizeram tal gritaria que inviabilizaram qualquer negociação.

Numa derradeira tentativa, a própria abadessa reuniu as freiras e pediu-lhes que aceitassem D. Ventura. Perante a persistente recusa, a abadessa insistiu e as freiras caíram sobre ela e maltrataram-na. O caso subiu ao Inquisidor Geral, D. Nuno da Cunha Ataíde e ao rei D. João V, que declinou o seu envolvimento directo. Face à insistência da Inquisição em impor o regresso de D. Ventura, a insubordinação das freiras subiu de tom, decidindo-se a sair do mosteiro em manifestação, em ar de desafio, para exigir «justiça» ao rei. Desfilaram 134 freiras em direcção a Lisboa, de imponente cruz levantada à sua frente. No caminho, 5 KM adiante, a condessa do Rio convidou-as a entrar no seu palácio, na tentativa, sem sucesso, de as fazer desistir da inqualificável afronta à sua Ordem, ao Santo Ofício e ao próprio rei. Este, no intuito de calar a chacota que já grassava na capital e se preparava para receber tão insólita manifestação freirática, enviou a Cavalaria para as fazer regressar ao mosteiro, evitando maior falatório à triunfante recepção lisboeta das inesperadas manifestantes, mas as intolerantes freiras barricaram-se no palácio durante dois dias e receberam a milícia à pedrada.

Forçadas as portas, os sargentos entraram, manietaram e arrastaram as freiras para os coches reais que as transportariam de volta a Odivelas. Vencidas mas não convencidas, as freiras ameaçaram matar D. Ventura se as obrigassem a recebê-la no seu convívio conventual. As insubordinadas correligionárias de Madre Paula – célebre amante de D. João V – haviam perdido uma batalha, mas acabariam por ganhar a guerra da histérica intolerância. Com efeito, a freirinha recolheria à clausura no Convento de São Bento, em Évora, perdendo-se-lhe o rasto. Terminavam desta sorte as desventuras de D. Ventura, perante a intransigência antijudaica das menos rigorosas atitudes noutras matérias, por parte das freiras do Mosteiro de Odivelas. Na verdade, demonstrariam menor rigor moral perante as célebres investidas reais e senhoriais dos garbosos cortesãos, que acalmavam os seus libidinosas impulsos entre aquelas que agora se prestavam à rejeição duma arrependida judaizante, no «harém bastantemente turco de Odivelas», como lhe chamava o escritor Camilo castelo Branco.

texto retirado de:

http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2009/09/17/uma-manifestacao-de-freiras-em-1713/

pintura de: Roque Gameiro

segunda-feira, 30 de julho de 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Castro da Amoreira - para não cair no esquecimento.

O odivelas.com reuniu uma equipa de especialistas e foi ao Castro da Serra da Amoreira conversar sobre a situação em que se encontra este monumento histórico.
Dois historiadores/investigadores (Máxima Vaz e Vitor Adrião), um politólogo especialista em direito administrativo (Oliveira Dias) e um autarca (Francisco Bartolomeu) reuniram-se no alto da serra e durante 1 hora discorreram sobre a situação existente, sobre o que é necessário ser feito e o valor histórico/económico do local.
Do trabalho efetuado aqui fica um testemunho para utilização pública.
Trata-se de uma situação que, embora conhecida, tem merecido poucas conclusões correndo-se o risco sério de, à semelhança de outro casos conhecidos, se perder um valor histórico de grande significado, delapidado a favor de interesses privados.
A ganância e a ignorância são más conselheiras.
Quando se trata de cegueira voluntária escondida atrás da ignorância ainda pior.
Não é um caso novo, mas é um caso importante e entendemos chegada altura de o estudar com profundidade.
Foi o que fizemos e disso damos testemunho.
Pelo menos desconhecimento não haverá.
Ver video em:

http://odivelas.com/2010/07/21/odivelas-o-castro-da-serra-da-amoreira-em-debate/

domingo, 22 de julho de 2012

Breve Historial do Teatro na Sociedade Musical e Desportiva de Caneças.

As manifestações recreativas ligadas ao Teatro constituem um marco importante na vida da Sociedade Musical e Desportiva de Caneças.

Grupos de Teatro, com os seus ensaiadores, faziam as delícias das assistências. Jovens Canecences de diferentes épocas mantiveram vivo o gosto e o empenho pela dramatização.

Reconhecido o seu valor, percorriam os arredores da freguesia preenchendo o programa de outras Sociedade Recreativas.

A actividade teatral parece ter tido uma aceitação muito grande junto da população de Caneças e os primeiros registos apontam para 1922 a primeira actuação de um grupo de teatro na localidade, muito antes da fundação da "Casa da Sociedade" em 1944.

As Sedes provisórias da colectividade acompanharam a actividade dos grupos de teatro e um dos primeiros locais de ensaio e representação de peças de teatro foi a antiga "Casa do Magalhães", hoje ocupada pelo restaurante "O Cartaxeiro". Posteriormente viria a acontecer o mesmo no "Manuel Nunes" e, mais tarde, na "Casa do Trenas".

A vontade de todos quantos participavam na actividade teatral permitiu comtemplar o seu público com representações de peças que se dividiam em quatro géneros: drama, comédia, opereta e revista.

Entre as várias peças representadas, destacam-se, na comédia "o copo do Paulino", "Casamento por anúncio", "O criado destraído" e "Baptizado em Caneças". Na revista salientam-se duas peças "Caneças que bela que tu és" e "Caneças à Papo-seco".

Graças à dedicação dos "Amadores de Teatro", actores e ensaiadores, foi possível manter o teatro na Sociedade Musical de Caneças. O empenho de todos os intervenientes quer nos ensaios das peças quer na aquisição de todo o material necessário e a execução de cenários, alargava-se aos grupos musicais da Sociedade, à Banda e ao grupo de Jazz "Orquestra Ideal". Alguns dos músicos dedicavam-se a compor as músicas para as peças e colaboravam na apresentação das mesmas.

Durante a década de setenta, o teatro viveu um período critico, em parte motivado pela situação politica e socioeconómica que atravessava o País e que culminou com um tempo de paragem, depois de algumas "visitas" das autoridades policiais à sede da colectividade para observar o trabalho desenvolvido.

O teatro reaparece no final daquela década pela mão de um grupo de jovens, sob a designação "Casanova". Durante esse período, entre algumas tentativas falhadas, foram apresentados os trabalhos "O Marido de Duas Mulheres" e a peça infantil "Zé Pimpão, João Mandão e os Sapatos Feitos à Mão". Esta última passou por alguns palcos do Concelho de Loures e arredores, no âmbito de um programa específico do FAOJ. Na altura, entre outros, era ensaiador o saudoso Alfredo Paisana, figura emblemática da Colectividade.

Em 1987 o "T.A.C.-Teatro Amador de Caneças", uma remanescência do grupo anterior, reanimou a vontade de voltar a fazer teatro em Caneças. Nesse ano, foi necessário reorganizar a actividade teatral com apelo à participação de pessoas para o grupo.
Com o objectivo de reiniciar esta manifestação cultural, o T.A.C. levou à cena a comédia "O copo do Paulino" que havia sido exibida pela primeira vez na S.M.D.Caneças no ano de 1961. De seguida foi apresentada a peça infantil "Gertrudes, a maquineta maravilha", exibida em várias localidades do Concelho de Loures, no âmbito do programa "Jornadas de Teatro" da iniciativa da autarquia. Em 1989 o T.A.C. exibiu ainda "Uma chávena de chá", por ocasião do aniversário da colectividade. O grupo interrompeu a sua actividade em Agosto do mesmo ano

O ano de 2000, marcou uma nova etapa na vida desta colectividade com o aparecimento do "Artecanes Teatro".

Retirado de: http://www.sociedademusical.com/actividades/teatro/historia



Um grupo de teatro "Artecanes", representou ontem em frente ao Mosteiro de Odivelas, um pouco daquilo que foi a vida de D. Dinis e o Milagre das Rosas, atribuído à Rainha Santa Isabel (2011).