domingo, 9 de março de 2014

Igreja do Olival Basto.


A igreja de Olival Basto nasceu, como certamente a generalidade das que existem no nosso país, do sonho transformado em realidade, de um grupo de pessoas, neste caso congregado por um cristão empenhado, de seu nome F. Gumersindo Moralles. 
Com efeito, este senhor, não obstante ser residente em Olival Basto então pertencente à freguesia da Póvoa de Santo Adrião, frequentava a Igreja de Odivelas, cujo pároco era o senhor padre João de Sousa, a quem manifestou interesse em que existisse nesta localidade um templo católico, que servisse a emergente comunidade, e para isso solicitou a possível colaboração daquele eclesiástico que de pronto se disponibilizou. 
Assim se realizaram as primeiras reuniões presididas pelo senhor padre João, onde se procurou constituir um grupo de trabalho que dinamizasse os primeiros passos. Concomitantemente foi acontecendo Igreja, com recitação do terço e celebração da palavra, num residência devoluta, situada no rés-do-chão do edifício da esquina das ruas São Tomé e Príncipe e Damão, cedida pelo seu proprietário. 
Uma vez a ideia cimentada, era altura de pô-la em prática e assim havia que saber onde seria erigida. Terreno disponível havia pois o bairro habitacional limitava-se a três ou quatro ruas existentes entre a rua Angola e a São Tomé e Príncipe que acabava onde hoje existe a rua Açores. Tudo o mais eram terrenos ainda não urbanizados onde outrora existiram hortas, as famosas hortas fora de portas de que se ouve falar. 
Contactado o proprietário e apresentada a ideia, de imediato foi dito que fizessem a igreja onde achassem mais conveniente, pois o terreno seria ofertado. 
Era tempo de pôr mãos à obra, embora os fundos necessários não passassem de poucos milhares de escudos provindos da quotização dos então ainda poucos aderentes. Mas foi o suficiente para pagar aos operários especializados os primeiros salários, porque quanto aos serventes, cada um foi colaborando como podia e sabia. Já no que respeitava aos materiais, aproveitando os muitos contactos que possuía com empreiteiros, dado o facto de ser fiscal camarário, o senhor Moralles foi obtendo graciosamente o produto de demolições, tais como tijolos, portas, janelas, madeiramento para o telhado e as próprias telhas. Mas porque eram fruto de demolições, havia que recuperá-los como por exemplo limpar os tijolos da argamassa que os envolvia, trabalho penoso muitas vezes executado pela sua própria esposa, já quase invisual, mas que possibilitou que as paredes se fossem erguendo.
Porque os recursos financeiros depressa se esgotaram, organizaram-se alguns espectáculos dentro do que já existia da obra, onde colaboraram graciosamente alguns artistas convidados, entre os quais a fadista Maria Teresa de Noronha, o que possibilitou a angariação de mais alguns fundos para o prosseguimento da construção da única nave do corpo da igreja e dos anexos destinados à residência do futuro pároco. 
E assim, com muitas vicissitudes embora, mas com a ajuda de Deus, a obra surgiu, eram decorridos os primeiros anos da década de sessenta do século XX, para ser dedicada, por sua eminência o senhor cardeal patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira, a Nossa Senhora de Fátima, conforme desejo do povo do Olival Basto. 
Para se ter noção de quão espartanas eram as instalações, pode-se destacar das palavras então proferidas por sua eminência, que este era o templo mais simples e pobre de quantos tinha até então dedicado, mas que essa pobreza iria certamente ser colmatada pela riqueza da fé dos fiéis que tinham tornado possível a existência de mais uma casa de Deus. 
Foi o senhor padre Manuel Rodrigues, então pároco da Póvoa de Santo Adrião, o primeiro e único sacerdote a residir nos anexos da igreja mas, dada a manifesta insalubridade dos mesmos, relacionada com a precariedade da construção, residir em tais circunstancias tornou-se praticamente impossível, o que levou a que as ditas instalações deixassem de ser utilizadas como residência, para passarem a servir de casa mortuária e salas para catequese. 
Precariedade foi sempre uma palavra associada a este templo, de tal modo que, pela razão simples e espontânea como foi doado o terreno onde se encontra edificado, ninguém se lembrou de obter a competente escritura e consequente registo, o que motivou que, durante muitos anos, fosse considerado clandestino, só se tendo noção desta situação aquando das obras de beneficiação e restauro. 
Não é uma obra de arte, mas sim uma obra de fé e de querer que, edificada com carácter provisório, se manteve inalterada até ao ano de 2002, data em que a degradação e o risco de colapso levaram à necessidade de chamar, mais uma vez, o povo do Olival Basto, agora em colaboração com as entidades oficiais, sob o patrocínio do actual pároco, senhor padre Luís Ferreira, a dizer presente na recuperação deste templo que, cremos, se irá manter por muitos mais anos.

(1961)

retirado de: http://www.paroquiapsadriao.com/igrejaOlival.html

terça-feira, 4 de março de 2014

Mercado da Pontinha - 1962.


(Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um pouco da história da Escola Secundária de Odivelas.


A Escola Secundária de Odivelas foi criada no ano de 1977, dando resposta aos anseios da população local, uma vez que à data apenas existiam como escola pública, a Escola Preparatória Avelar Brotero (Esc. Básica 2.3), e o instituto militar feminino (o Instituto de Odivelas).
O corpo docente era constituído por 91 professores, leccionando os sétimo, oitavo (diurno e nocturno) e nono anos de escolaridade (apenas diurno). No ano lectivo de 1978/79, o número de turmas existente na Escola distribuía-se do seguinte modo: 14 turmas de 7º ano, 22 turmas do 8º ano, 9 turmas do 9º ano e 5 do curso nocturno. No mesmo ano, foi aberto o quadro a 43 professores efectivos e foram requisitados 27.
Dez anos depois (1988/89) a escola tinha 3000 alunos, 220 professores e 51 elementos entre técnicos auxiliares de educação e pessoal administrativo.
Em 1999/2000 a escola sofre um decréscimo do número de alunos (que passa para 2010), possuindo 206 professores e 60 funcionários (administrativos e auxiliares de educação).
Comparativamente com os dados de 88/89, a diminuição do número de alunos na Escola apenas se verifica nos cursos nocturnos, nos quais passa a vigorar o Sistema de Unidades Capitalizáveis (S.U.C.), mantendo-se, aproximadamente, o mesmo número de alunos dos cursos diurnos.

Retirado de: http://www.es-odivelas.pt/escola.aspx


(Odivelas 1974 - Espaço onde viria a ser constrida a Escola Secundária de Odivelas)





quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Igreja da Sagrada Família da Pontinha.


As circunscrições eclesiásticas nem sempre coincidem com as circunscrições civis. Foi precisamente isso que aconteceu na Pontinha. Enquanto a freguesia foi criada em 1984, a paróquia da Sagrada Família da Pontinha foi decretada em 28 de junho de 1971 pelo Cardeal Cerejeira, antes de ser substituído no Patriarcado por D. António Ribeiro. Desde 1960 que os bairros da Pontinha, Santa Maria (Urmeira), Paiã e Passa Fome se encontravam subordinados à paróquia de S. Lourenço de Carnide, cuja freguesia havia sido integrada no concelho de Lisboa em 1885. Com a criação do concelho de Loures no ano seguinte, a parte do território da freguesia de Carnide que pertence à atual freguesia da Pontinha passaria para esse concelho, tal como a freguesia de Odivelas. Embora a Igreja da Sagrada Família da Pontinha tenha sido inaugurada em 1954, só em 1971 esta zona seria destacada da paróquia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, criando-se então a paróquia da Pontinha.
Data precisamente de 1954 o conjunto de doze vitrais encomendados ao pintor Júlio Pomar, que valorizam e personalizam patrimonialmente a Igreja da Sagrada Família, distribuídos pelo templo do seguinte modo: um vitral circular na fachada principal, representando a Sagrada Família, dois arcanjos (S. Miguel e S. Rafael) na capela-mor e os restantes nove, representando santos, no corpo da Igreja (S. João de Deus, Santo António, Santa Rita, Santa Filomena, Santa Cecília, Santa Isabel, S. José, S. Pedro e S. João Batista).
Este magnifico conjunto de vitrais de Pomar, mereceram a seguinte apreciação de Sara Cristina Silva:

Estas representações artísticas destacam-se por um realismo matizado de lirismo. Está patente, nestes vitrais, um humanismo geométrico, intrínseco ao vitral, pela preocupação na delimitação dos contornos das figuras com o auxílio dos filetes metálicos, elementos estruturantes destas composições. Estas configurações personificam o espírito”. (http://jf-pontinhafamoes.pt/pontinha/locais-de-interesse/)


Em 1954, Júlio Pomar, recebe a encomenda de um conjunto de doze vitrais, que personalizam a Igreja da Sagrada Família (Pontinha)  distribuídos pelo templo do seguinte modo: um vitral circular na fachada principal, representando a Sagrada Família, dois arcanjos (S. Miguel e S. Rafael) na capela-mor e os restantes nove, representando santos, no corpo da Igreja (S. João de Deus, Santo António, Santa Rita, Santa Filomena, Santa Cecília, Santa Isabel, S. José, S. Pedro e S. João Baptista). (http://comjeitoearte.blogspot.pt/2011/09/julio-pomar.html)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Ribeira da Póvoa de Santo Adrião.


(Arquivo Fotográfico CM Lisboa - anos 60 do século XX)