domingo, 11 de maio de 2014

O homem do saco versus ferro velho.


Em todas as terras havia, não sei se ainda existem, uns homens que andavam sempre com uma “sacola” de sarapilheira às costas. Também por aqui existiram, em tempo já idos, personagens semelhantes. Os tempos eram outros e uma forma de alguns homens arranjarem dinheiro era andar de lugar em lugar, de porta em porta, à “cata” de alguma coisa velha que lhe pudesse render uns “cobres”. Andarilhos da vida dormiam onde calhava conforme as estações do ano. Alguns acabavam por ficar, chegada a velhice, num dos lugarejos onde alguém, por certo, lhes daria uma “bucha” ou um prato de sopa. A sua fisionomia era, em geral, de ar pesado e carrancudo. Não me admira, hoje, que assim fossem. “Gastos pela vida” pouca, ou nenhuma, razão teriam para andar de cara risonha.
Desde que me lembro, o “homem do saco” era uma figura utilizada pelas mães, e ou avós, para fazerem prevalecer as suas razões.
- Se não comeres a sopa chamo o “homem do saco” e ele leva-te!...
Coitado do “homem do saco”… pouco lhe importaria se a criança quisesse ou não… comer a sopa!..


Adaptação do poema por Alexandre O'Neill
Poema (original) e musica de Joan Manuel Serrat

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dos saltimbancos e circos de outrora.

(Filme português: Os Saltimbancos)
(Retirado de: http://pauloborges.bloguepessoal.com/)

A primeira vez que vi um espetáculo circense deveria ter 6 ou 7 anos. Tratou-se de uma “troupe” de saltimbancos que por ali (Bons-Dias) passou a caminho de Caneças. Atuaram num largo que ainda hoje existe e bem perto da casa onde morava e que tinha uma tasca defronte. As imagens que guardo dessa altura... é a de ver dois ou três “artistas”,  já com os fatos um tanto ou quanto gastos , muito magros e que executaram alguns números de malabarismo com bolas e com aquela “espécie de garrafas” (soube mais tarde que se chamavam “massas”). Fizeram também um número de equilibrismo entre dois deles. Foi mais ou menos isto que me ficou na memória. Isto e no final da “representação”... Haver um deles que com um chapéu recolheu algumas moedas dadas pela pequena assistência presente. As suas caras no final ficaram sérias... tal como antes do espetáculo.  E lá partiram, de sacos às costas, a caminho de Caneças (sinceramente não sei se por aquela altura haveria alguma festa por lá. Talvez a de São Pedro).

Mais tarde assisti, já numa tenda de circo, a um espetáculo cuja figura central era... um burro que adivinhava.  O circo era mesmo muito “pobre”. Recordo-me que o espetáculo foi à noite e que o frio lá dentro era muito. A tenda foi montada onde hoje é a Rua Alves da Cunha. Naquela altura era campo e meia dúzia de casas em redor.

Os circos, por esse tempo, abundavam em qualquer estação do ano. Iam “rodando de terra em terra” à procura do sustento familiar. Um exemplo do que eram esses pequenos circos fica patente, com a foto em baixo, tirada em 1966 junto a uns prédios da Avenida de Roma.


(Foto retirada do Arquivo Fotográfico de Lisboa)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Passeando pela cidade de Odivelas.


Quase todos os dias nós cruzamos a Rua Guilherme Gomes Fernandes, em Odivelas, de transporte ou mesmo a pé. Se calhar, a maioria dos odivelenses, não sabe que figura é esta. Como curiosidade aqui vos deixo um pouco da história deste brasileiro que nos deixou um legado enorme.

Patrono dos Bombeiros Novos - Mestre Guilherme Gomes Fernandes


Nasceu na Baía a 6 de Fevereiro de 1850. Aos 3 anos de idade foi viver para a cidade do Porto e aos 13 partiu para Inglaterra, com o intuito de frequentar os estudos liceais.
Com 19 anos, este jovem abastado e culto fixou residência no Porto. Entusiasta do desporto, acumulou diversas vitórias na disciplina de Ginástica.
Senhor de uma vasta fortuna, funda, a 25 de Agosto de 1875, um corpo de bombeiros voluntários, assumindo os custos do material e equipamentos necessários. Foi o 11º de Portugal. Recebe formação de bombeiro nos Municipais de Lisboa. Contacto frequente com os bombeiros de vários países europeus e com prestigiadas personalidades do meio. Estudos de materiais de ataque de incêndios, congressos, exercícios, etc. Organizou e instruiu várias corporações de bombeiros. Nomeado Inspector Geral de Incêndios e Comandante dos Bombeiros Municipais do Porto em 31 de Dezembro de 1885, tendo tomado posse em 9 de Janeiro de 1886. Incidentes desagradáveis de percurso da sua acção como Inspector e Comandante de Bombeiros. Realizou no Porto o 1º Congresso dos Bombeiros Portugueses em 1893. Participa com uma força sob o seu comando, em 17 de Junho de 1893 no Torneio Internacional de Londres, tendo-se classificado em primeiro lugar sem a atribuição do 2º lugar a outro concorrente, atendendo à excelência da prova dos portugueses. Em 5 de Agosto 1984 participou no Torneio de Lion-França com uma força de 14 bombeiros, tendo conquistado o 2º lugar da classificação. Participação no concurso internacional de Paris, realizado entre 15 a 18 de Agosto de 1900 e aos quais assistiram contingentes da Aústria, Itália, Espanha, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Inglaterra, Holanda, Hungria, Luxemburgo, Suécia, Rússia, etc.
O grupo de Guilherme Gomes Fernandes vence o concurso perante uma assistência de 40 000 pessoas, conquista uma medalha de Ouro, a Taça de Sévres que lhe foi entregue pelo PR Francês; e o título de campeão do Mundo, além do prémio pecuniário de 1500 francos. Nenhum concorrente fez a prova em menos tempo da metade do tempo necessário à esquadra portuguesa para vencer o torneio. Esta esquadra de bombeiros pernoitou em Aveiro antes de chegar à cidade do Porto, por ocasião do seu regresso a Portugal. À época desta vitória de Paris, era comandante dos Bombeiros Voluntários de Aveiro, o aveirense Joaquim de Melo Freitas, o qual serviu de forma sublime, o seu país. Guilherme Gomes Fernandes é festejado pela população, tal a sua influência e fama. Guilherme Gomes Fernandes morre a 31 de Outubro de 1902, com 52 anos após uma complicada operação cirúrgica. Em sua memória, é-lhe erigido um memorial em 1915, na cidade do Porto.

Dados retirados de:

domingo, 27 de abril de 2014

Cine Odivel.


Em 1977 surgiu o primeiro centro comercial em Odivelas, de seu nome C.C. Kaué, localizado na Rua Major Caldas Xavier. Nesse estabelecimento, existia um cinema de seu nome Cine Odivel. Durante anos foi essencialmente um cinema de reprise, mas também assistiu-se a algumas estreias como a do filme Titanic em 1998, que foi um autêntico sucesso entre os odivelenses.  A sala não era muito grande, mas era agradável...um pouco vintage e datada devido ao aparecimento de novos centros comerciais com salas de cinemas mais modernas e melhor equipadas. O Cine Odivel fechou as portas em 2004, mas graças à obstinação do empresário e gerente do C.C. Kaué, de seu nome Raul Melo, foi possível recuperar este espaço e transformá-lo num auditório designado de Kaué Auditório D. Dinis, inaugurado em 2011.
Retirado de:

http://cinemasparaiso.blogspot.pt/2013/12/cinemas-do-paraiso-odivelas.html


terça-feira, 22 de abril de 2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Ferrador de Odivelas.


Nos tempos em que Odivelas e os seus arredores eram quase, e só, campo haviam muitas carroças em “circulação”. Umas que transportavam hortaliças para Lisboa, outras as célebres “bilhas de barro” com a água de Caneças e ainda as que traziam e levavam as roupas que “a freguesa dava ao rol”.
A carroça era um meio de transporte privilegiado. As mesmas eram puxadas pelas “alimárias” de várias estirpes. Cavalos, pilecas, machos, mulas e burros. Todos eles faziam parte da paisagem do quotidiano do concelho.

Em Odivelas havia um ferrador que se situava bem perto do “Cruzeiro”. Nesses tempos não haviam “mãos a medir” para tal mester. Ainda me lembro de o ver aberto. Dizia-se em jeito de brincadeira quando alguém comprava uns sapatos ou umas botas novas: “Então hoje foste ao ferrador?”. Ditos de outros tempos que acabaram quando as portas do ferrador se fecharam...


quarta-feira, 16 de abril de 2014

O "Luizinho" de Odivelas.


Retirei esta foto do facebook “Odivelas - A sua história é feita por si". Conheço algumas daquelas caras que durante muitos anos ali trabalharam. O “Luizinho” não era nada do que hoje vemos. Era um “restaurante um pouco atascado” (não levem a mal esta minha designação porque não contem em si valor pejorativo) que fica na Rua do Neto.
Era onde aos fins de semana se comiam uns bons frangos assados “regados” do tinto, ou branco, do “casco” (barril) e, à tarde, se petiscavam uns caracóis divinais.
Havia até quem, com os efeitos do “néctar dos deuses” – vulgo “tintol”, se atrevia a cantar o fado debaixo da grande parreira que ali existia há época.

Foram-se esses tempos mas ficou a recordação de quem lá esteve algumas vezes. Para os que se reconhecerem na foto... Com certeza irão recordar episódios que vivenciaram no tempo em que lá trabalharam. O Luizinho, esse que deu nome ao restaurante, já há muitos anos que partiu...