terça-feira, 13 de maio de 2014
domingo, 11 de maio de 2014
O homem do saco versus ferro velho.
Em
todas as terras havia, não sei se ainda existem, uns homens que andavam sempre
com uma “sacola” de sarapilheira às costas. Também por aqui existiram, em tempo
já idos, personagens semelhantes. Os tempos eram outros e uma forma de alguns
homens arranjarem dinheiro era andar de lugar em lugar, de porta em porta, à “cata”
de alguma coisa velha que lhe pudesse render uns “cobres”. Andarilhos da vida
dormiam onde calhava conforme as estações do ano. Alguns acabavam por ficar,
chegada a velhice, num dos lugarejos onde alguém, por certo, lhes daria uma “bucha”
ou um prato de sopa. A sua fisionomia era, em geral, de ar pesado e carrancudo.
Não me admira, hoje, que assim fossem. “Gastos pela vida” pouca, ou nenhuma,
razão teriam para andar de cara risonha.
Desde
que me lembro, o “homem do saco” era uma figura utilizada pelas mães, e ou avós,
para fazerem prevalecer as suas razões.
-
Se não comeres a sopa chamo o “homem do saco” e ele leva-te!...
Coitado do “homem do saco”… pouco lhe importaria
se a criança quisesse ou não… comer a sopa!..
Adaptação
do poema por Alexandre O'Neill
Poema (original) e musica de Joan Manuel Serrat
Poema (original) e musica de Joan Manuel Serrat
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Dos saltimbancos e circos de outrora.
(Filme português: Os Saltimbancos)
(Retirado de: http://pauloborges.bloguepessoal.com/)
A
primeira vez que vi um espetáculo circense deveria ter 6 ou 7 anos. Tratou-se
de uma “troupe” de saltimbancos que por ali (Bons-Dias) passou a caminho de
Caneças. Atuaram num largo que ainda hoje existe e bem perto da casa onde
morava e que tinha uma tasca defronte. As imagens que guardo dessa altura... é
a de ver dois ou três “artistas”, já com
os fatos um tanto ou quanto gastos , muito magros e que executaram alguns
números de malabarismo com bolas e com aquela “espécie de garrafas” (soube mais
tarde que se chamavam “massas”). Fizeram também um número de equilibrismo entre
dois deles. Foi mais ou menos isto que me ficou na memória. Isto e no final da “representação”...
Haver um deles que com um chapéu recolheu algumas moedas dadas pela pequena
assistência presente. As suas caras no final ficaram sérias... tal como antes
do espetáculo. E lá partiram, de sacos
às costas, a caminho de Caneças (sinceramente não sei se por aquela altura
haveria alguma festa por lá. Talvez a de São Pedro).
Mais
tarde assisti, já numa tenda de circo, a um espetáculo cuja figura central
era... um burro que adivinhava. O circo
era mesmo muito “pobre”. Recordo-me que o espetáculo foi à noite e que o frio
lá dentro era muito. A tenda foi montada onde hoje é a Rua Alves da Cunha.
Naquela altura era campo e meia dúzia de casas em redor.
Os
circos, por esse tempo, abundavam em qualquer estação do ano. Iam “rodando de
terra em terra” à procura do sustento familiar. Um
exemplo do que eram esses pequenos circos fica patente, com a foto em baixo,
tirada em 1966 junto a uns prédios da Avenida de Roma.
(Foto retirada do Arquivo Fotográfico de Lisboa)
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Passeando pela cidade de Odivelas.
Quase
todos os dias nós cruzamos a Rua Guilherme Gomes Fernandes, em Odivelas, de
transporte ou mesmo a pé. Se calhar, a maioria dos odivelenses, não sabe que
figura é esta. Como curiosidade aqui vos deixo um pouco da história deste
brasileiro que nos deixou um legado enorme.
Patrono
dos Bombeiros Novos - Mestre Guilherme Gomes Fernandes
Nasceu
na Baía a 6 de Fevereiro de 1850. Aos 3 anos de idade foi viver para a cidade
do Porto e aos 13 partiu para Inglaterra, com o intuito de frequentar os
estudos liceais.
Com
19 anos, este jovem abastado e culto fixou residência no Porto. Entusiasta do
desporto, acumulou diversas vitórias na disciplina de Ginástica.
Senhor
de uma vasta fortuna, funda, a 25 de Agosto de 1875, um corpo de bombeiros
voluntários, assumindo os custos do material e equipamentos necessários. Foi o
11º de Portugal. Recebe formação de bombeiro nos Municipais de Lisboa. Contacto
frequente com os bombeiros de vários países europeus e com prestigiadas
personalidades do meio. Estudos de materiais de ataque de incêndios,
congressos, exercícios, etc. Organizou e instruiu várias corporações de
bombeiros. Nomeado Inspector Geral de Incêndios e Comandante dos Bombeiros
Municipais do Porto em 31 de Dezembro de 1885, tendo tomado posse em 9 de
Janeiro de 1886. Incidentes desagradáveis de percurso da sua acção como
Inspector e Comandante de Bombeiros. Realizou no Porto o 1º Congresso dos
Bombeiros Portugueses em 1893. Participa com uma força sob o seu comando, em 17
de Junho de 1893 no Torneio Internacional de Londres, tendo-se classificado em
primeiro lugar sem a atribuição do 2º lugar a outro concorrente, atendendo à
excelência da prova dos portugueses. Em 5 de Agosto 1984 participou no Torneio
de Lion-França com uma força de 14 bombeiros, tendo conquistado o 2º lugar da
classificação. Participação no concurso internacional de Paris, realizado entre
15 a 18 de Agosto de 1900 e aos quais assistiram contingentes da Aústria,
Itália, Espanha, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Inglaterra, Holanda, Hungria,
Luxemburgo, Suécia, Rússia, etc.
O
grupo de Guilherme Gomes Fernandes vence o concurso perante uma assistência de
40 000 pessoas, conquista uma medalha de Ouro, a Taça de Sévres que lhe foi
entregue pelo PR Francês; e o título de campeão do Mundo, além do prémio
pecuniário de 1500 francos. Nenhum concorrente fez a prova em menos tempo da
metade do tempo necessário à esquadra portuguesa para vencer o torneio. Esta esquadra
de bombeiros pernoitou em Aveiro antes de chegar à cidade do Porto, por ocasião
do seu regresso a Portugal. À época desta vitória de Paris, era comandante dos
Bombeiros Voluntários de Aveiro, o aveirense Joaquim de Melo Freitas, o qual
serviu de forma sublime, o seu país. Guilherme Gomes Fernandes é festejado pela
população, tal a sua influência e fama. Guilherme Gomes Fernandes morre a 31 de
Outubro de 1902, com 52 anos após uma complicada operação cirúrgica. Em sua
memória, é-lhe erigido um memorial em 1915, na cidade do Porto.
Dados
retirados de:
domingo, 27 de abril de 2014
Cine Odivel.
Em
1977 surgiu o primeiro centro comercial em Odivelas, de seu nome C.C. Kaué,
localizado na Rua Major Caldas Xavier. Nesse estabelecimento, existia um cinema
de seu nome Cine Odivel. Durante anos foi essencialmente um cinema de
reprise, mas também assistiu-se a algumas estreias como a do filme Titanic em
1998, que foi um autêntico sucesso entre os odivelenses. A sala não era
muito grande, mas era agradável...um pouco vintage e datada devido ao
aparecimento de novos centros comerciais com salas de cinemas mais modernas e
melhor equipadas. O Cine Odivel fechou as portas em 2004, mas graças à
obstinação do empresário e gerente do C.C. Kaué, de seu nome Raul Melo,
foi possível recuperar este espaço e transformá-lo num auditório
designado de Kaué Auditório D. Dinis, inaugurado em 2011.
Retirado
de:
http://cinemasparaiso.blogspot.pt/2013/12/cinemas-do-paraiso-odivelas.html
terça-feira, 22 de abril de 2014
segunda-feira, 21 de abril de 2014
O Ferrador de Odivelas.
Nos
tempos em que Odivelas e os seus arredores eram quase, e só, campo haviam
muitas carroças em “circulação”. Umas que transportavam hortaliças para Lisboa,
outras as célebres “bilhas de barro” com a água de Caneças e ainda as que
traziam e levavam as roupas que “a freguesa dava ao rol”.
A
carroça era um meio de transporte privilegiado. As mesmas eram puxadas pelas “alimárias”
de várias estirpes. Cavalos, pilecas, machos, mulas e burros. Todos eles faziam
parte da paisagem do quotidiano do concelho.
Em
Odivelas havia um ferrador que se situava bem perto do “Cruzeiro”. Nesses
tempos não haviam “mãos a medir” para tal mester. Ainda me lembro de o ver
aberto. Dizia-se em jeito de brincadeira quando alguém comprava uns sapatos ou
umas botas novas: “Então hoje foste ao ferrador?”. Ditos de outros tempos que
acabaram quando as portas do ferrador se fecharam...
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